A Terra Inteira e o Céu Infinito por Ruth Ozeki
20 de agosto de 2014 | Arquivado em: Resenhas
A Terra Inteira e o Céu Infinito

Título: A Terra Inteira e o Céu Infinito
Autor: Ruth Ozeki
Editora: Casa da Palavra (Leya)
Skoob: Adicione!
Compre o livro: CULTURA | SARAIVA | AMAZON
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

O que acontece quando um diário perdida encontra o leitor certo? Numa remota ilha do Canadá, a escritora Ruth cata mariscos com o marido na praia quando se depara com um saco plástico coberto de cracas que envolve uma lancheira da Hello Kitty. Dentro, encontra um livro de Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido, e se surpreende ao descobrir que o miolo, na verdade, é o diário de uma menina japonesa, Nao. A sacola misteriosa, segundo os rumores dos habitantes, é mais um dos destroços do último tsunami que devastou o Japão e foi levado pelas correntezas até a ilha.

Faz bastante tempo que terminei a leitura de A Terra Inteira e o Céu Infinito, mas devo explicar que não havia falado desta história porque não sabia exatamente como me expressar. Essa é uma leitura que ultrapassa limites territoriais e, principalmente, no tempo. É uma história que, se for necessário – e sem dúvidas será! – lê-la novamente, teremos uma nova perspectiva, tudo vai depender do momento e do lugar que você, leitor, estiver.

Já ouviu falar em autoficção? Eu geralmente não especifico gêneros ou os explico mais profundamente aqui, mas sobre este título, será necessário ao menos falar um pouco. Conhecemos a autobiografia e a ficção, termos totalmente discrepantes, mas no mundo dos livros, tudo é possível. A autoficção é simplesmente a mistura do real e da fantasia, e Ruth Ozeki conseguiu unir esses dois gêneros de forma linda e encantadora.

Ruth, autora e personagem, quando foi passear na praia da pequena ilha do Canadá onde mora, acabou encontrando uma lancheira da Hello Kitty dentro de um saco. Dentro da lancheira, havia um diário com a capa de um livro de Proust, “Em busca do tempo perdido”; um caderninho escrito em francês e um relógio. Por ser escritora, ela se vê na obrigação e curiosa para ler toda a história do diário, e ao iniciar a leitura, é apresentada à Naoko Yasutani, uma menina japonesa de 16 anos. Nao não escreve um diário convencional, ela tenta criar uma narrativa com alguém que esteja lendo o livro dela e, de alguma forma ela sabia que alguém o encontraria, um outro ser-tempo.

A Terra Inteira e o Céu Infinito

Ao longo do diário, Nao apresenta sua vida e desafios, como seu provável suicídio; um pai que tentou suicídio, mas não teve sucesso; o bullying que sofria diariamente na escola; os extremos entre ter dinheiro para uma vida confortável e não ter dinheiro algum, para nada; prostituição; a falta de diálogo em casa e principalmente, histórias sobre a velha Jiko, anarquista-feminista-romancista-que-virou-monja-budista.

O livro tem capítulos intercalados entre Ruth e Nao, e assim como o leitor, Ruth vai conhecendo um pouco mais da menina que tem muito para contar, e nós, leitores, vamos descobrindo onde Ruth, a personagem e escritora, quer chegar. O mais legal é que Ruth, do livro, é casada com Oliver, um artista plástico, e a autora também é casada com um Oliver. Outros fatores que tornam este livro uma autoficção são, por exemplo, Ruth ser uma imigrante japonesa, viver numa ilha que falta luz e alguns outros que percebi ao longo da leitura, mas que não são concretos. Teorias, sabe? Quando conhecemos Nao, Jiko e Ruth, não parece ser simplesmente uma história com pessoas diferentes, pelo contrário, parece que conhecemos a mesma pessoa em três momentos diferentes, contando histórias diferentes.

Para captar verdadeiramente a ideia, pensem que todas as criaturas que existem no mundo estão ligadas entre si como momentos no tempo, e ao mesmo tempo existem como momentos de tempo individuais. Porque todos os momentos são o ser-tempo, eles são o seu tempo de ser.

Consegui encontrar muitas camadas históricas na leitura, onde é possível conhecer uma grande parte da história dos japoneses. Antes de Nao, veio Jiko, uma mulher que viveu na era Taishō, período com muitos problemas econômicos e políticos e que, de alguma forma, motivaram a Primeira Guerra Mundial. Jiko teve três filhos, duas meninas e um menino, e seu filho, Haruki, foi designado para ser piloto kamikaze, em 1944. A partir de 1941, a prática kamikaze foi bastante adotada pelos japoneses e para alguns era uma forma muito digna de morrer. Em 2000, houve o estouro da bolha da internet, quando os pais de Nao saíram de Sunnyvale, na Califórnia, para voltar para o Japão e ter uma vida não tão boa como a que tinham. Em 2011, acontece o tsunami, o fator que provavelmente levou o diário até Ruth.

A Terra Inteira e o Céu Infinito não é um livro em que o final é o que mais importa, mas sim a jornada. Ao meu ver, Ruth criou essa história mostrando e procurando a si mesma e é também uma forma de encontrarmos nós mesmos. Os ensinamentos que a velha Jiko nos deixa e as descobertas que Nao faz da vida, entre seus 14 e 16 anos, são essenciais para qualquer pessoa. É por isso que, no início da resenha, disse que se lermos esse livro hoje e relê-lo dentro de dois meses, nossa visão será diferente, porque cada dia é uma nova descoberta de nós mesmos. Esse é aquele tipo de livro que te abraça, acalenta e a única forma de entendê-lo é lendo-o.

O book trailer é demais, nos faz ter ainda mais vontade de ler o livro:

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Dica de APP: Meus aplicativos de fotografia favoritos
19 de agosto de 2014 | Arquivado em: Dica de App

Em 1998, tirávamos fotos com máquinas analógicas e tínhamos que economizar filme, porque revelar não era barato. Você que, assim como eu, nasceu na época em que fotografias eram formas de guardar momentos extremamente especiais, consegue perceber que hoje a coisa mudou. Não estou dizendo que as fotos deixaram de ter seu objetivo, continuam tendo, mas a forma com que compartilhamos memórias mudou. Não precisamos revelar filmes, gastar dinheiro, ter medo de queimar alguma pose ou coisa do tipo, agora é tudo online, virtualmente.

E hoje, por ser o dia mundial da fotografia, resolvi falar de alguns aplicativos de fotografia que são os meus favoritos e minha descoberta desta semana, que com certeza será meu xodó.

Magic Cam

O Magic Cam não é o aplicativo mais lindo que você já viu, mas as ferramentas, algumas parecidas com as que o Instagram adotou, são ótimas, além de ter efeitos diferentes e lindos para as imagens. Mexer no contraste e saturação são algumas das maiores vantagens que o aplicativo oferece.

Magic Cam Magic Cam Magic Cam

Valor: Grátis | Download: iTunesGoogle Play

A Beautiful Mess

O A Beautiful Mess é uma gracinha de aplicativo, tanto a interface dele, quanto as ferramentas e o que oferece. É possível adicionar bordas, carimbinhos, criar seus próprios textos e usar palavras padrão com fontes super legais.

A Beautiful Mess A Beautiful Mess A Beautiful Mess

Valor: USD 0.99 | Download: iTunesGoogle Play

Lumiè

E por último e mais fofo, apresento-lhes o Lumiè, minha descoberta da semana! Esse é aquele tipo de aplicativo para quem adora efeitos de luzes e desfocado que fazem lembrar alguns toques que são possíveis de fazer com câmeras profissionais e semi. Simplesmente apaixonante! ♥

Lumiè Lumiè Lumiè

Valor: USD 1.99 | Download: iTunesGoogle Play


Quais são os aplicativos favoritos de vocês? O que acharam do post? É um pouco diferente do que venho fazendo nos últimos 3 anos, mas quero conversar mais com vocês sobre mais assuntos.

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VOLTEI e atualizações
18 de agosto de 2014 | Arquivado em: Vídeos

Voltei e atualizações

Sentiram minha falta? Fiquei tantos dias sem postar que precisava dar uma satisfação sobre o que aconteceu e por isso fiz um vídeo dando algumas explicações. ♥ Além disso, em breve trarei muitas novidades e algumas mudanças, espero que gostem.

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Livros que conheci com o Livreiro A.J. Fikry
05 de agosto de 2014 | Arquivado em: Matéria

Vocês viram a resenha que fiz sobre A Vida do Livreiro A.J. Fikry? Esse é um livro que traz uma história que proporciona uma experiência única para o leitor. Acho que é aquele tipo de livro que todo mundo precisa ler e que serve para diferentes momentos da vida, sejam eles bons ou ruins.

E por ter gostado tanto do universo de livreiro que A.J. me mostrou, conheci livros e autores que nunca tinha visto antes e gostaria de dividir com vocês.

LolitaInfinite JestOld SchoolO Menino e o Alazão
O Diamante do Tamanho do Ritz e Outros ContosCasados com ParisUma esposa confiávelA Esposa Americana
A Mulher do Viajante no TempoÉ difícil encontrar um homem bomLos Angeles: Cidade ProibidaFrom the Mixed-Up Files of Mrs. Basil E. Frankweiler
A Good Man Is Hard To Find The Notorious Jumping Frog of Calaveras CountySong of SolomonCasa de Areia e Névoa

Muitos livros têm sinopses e títulos curiosos e diferentes… E foi exatamente isso que me deixou curiosa para ler a maioria deles. E vocês, se identificaram com algum?


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A Vida do Livreiro A.J. Fikry por Gabrielle Zevin
02 de agosto de 2014 | Arquivado em: Resenhas
A Vida do Livreiro A.J. Fikry

Título: A Vida do Livreiro A.J. Fikry
Autor: Gabrielle Zevin
Editora: Companhia das Letras (Paralela)
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Compre o livro: CULTURA | SARAIVA | AMAZON
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

Uma carta de amor para o mundo dos livros “Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos.

Posso contar nos dedos a quantidade de livros que li este ano e que realmente me marcaram. A Vida do Livreiro A.J. Fikry não conta apenas o dia a dia de uma pessoa que tem que lidar com livros, vai muito além de simples páginas, vai além da ficção.

A.J. Fikry é um homem que está sempre de mau humor, mas leva a vida a sua maneira. Perdera a esposa ainda muito jovem num acidente de carro, mas tenta seguir em frente. A bebida e o Tamerlane, a primeira publicação de Poe que, futuramente, serviria como a aposentadoria de A.J. junto com a venda da livraria, são as únicas companhias que tem, já que vive numa cidade pequena. E um dia, por ter ficado bêbado, tivera o livro, que seria seu sustento quando ficasse mais velho, roubado.

Perder o livro aos 39 anos, algo que poderia garantir uma vida tranquila, já que o negócio estava ruindo a cada dia, é algo terrível para acontecer. Mas não sabemos o que poderia vir a seguir, como a vida poderia surpreender o rabugento A.J. Fikry. E então, quando ele menos espera, surge uma segunda chance de ser feliz, uma reviravolta que nem o personagem e muito menos o leitor pode esperar.

A Vida do Livreiro A.J. Fikry

Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo.

A Vida do Livreiro A.J. Fikry é uma história linda e delicada, em suma, sobre um casal que construiu o amor baseado naquilo que amavam, os livros. E tudo o que acontece ao redor de A.J. também se baseia naquilo que ele mais ama de verdade nesse mundo, os livros. A relação que constrói com o delegado Lambiase e até com outros morados da pequena cidade de Alice Islands, se baseia na relação livro-indicação. Você consegue reconhecer esse tipo de amizade, baseado nos livros? Eu sim, e com essa paixão, consegui conhecer pessoas incríveis, assim como o A.J.

Não espere uma história clichê, só por ser um livro curto e rápido de ser lido. Espere uma história que poderá te satisfazer em muitos sentidos, principalmente para nós que amamos livros. Ter contato com A.J. e sua profissão é algo mágico. A forma com que ele lida com a compra e venda de livros, não se apegando apenas aos sucessos de venda ou à títulos que apenas autores consagrados comentam. Ele se arrisca, apesar de ter um gosto peculiar. Mas com o tempo acaba abrindo sua mente e coração para outras leituras e isso se reflete nas escolhas e atitudes que toma em sua vida.

No entando… Tinha passado horas com o homem nos últimos seis anos. Só conversavam sobre livros, mas o que, nessa vida, é mais íntimo do que livros?

Uma personagem que chamou muito minha atenção, mas não comentei antes, é Amelia. A conhecemos bem no início da história, com o objetivo de chegar até Island Books para mostrar o catálogo da editora que representa. Ela é uma mulher que procura seu par, que está farta de relacionamentos pela internet, mas ainda assim é determinada, divertida e também ama livros. Não posso deixar de mencionar Maya, não entrarei em detalhes sobre quem ela é, mas é uma menina muito doce, que conquistou meu coração por sua inteligência e forma de perceber o mundo. As passagens em que ela aparece são poesias por si só, simplesmente pela forma que vê o mundo.

A autora soube, apesar da história ser narrada em terceira pessoa, dar uma perspectiva e uma voz diferente para cada personagem. A.J. é um homem rabugento e diferente até nas coisas que fala e para quem fala, já com os outros personagens, Gabrielle soube dar uma essência diferente, algo mais pueril, na medida certa. A linguagem que utiliza para cada momento é única e transforma o livro na obra que é. Não é nada direto, pelo contrário, utiliza metáforas sutis que fazem com que o leitor seja guiado pela estrada que ela realmente quer que sigamos.

Um homem não é uma ilha. Ou ao menos não é o melhor de si quando é uma ilha.

Com este último quote, afirmo que este não é um simples livro sobre as pessoas e livros, mas sim como as pessoas lidam com as perdas, como aceitam retomar uma vida nova, já que estão vivas, e como lidam com mudanças e surpresas que a vida, a cada dia, nos prega. É um livro que, apesar de ser curtinho, nos traz cenas e frases que são dignas de serem guardadas para uma leitura futura e até mesmo para a vida.

A Raquel, do Pipoca Musical, também fez uma resenha linda sobre esse livro e vale a pena ser lida, clique aqui.


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Assista ao primeiro trailer de Jogos Vorazes – A Esperança
28 de julho de 2014 | Arquivado em: Novidades

O trailer de Jogos Vorazes – A Esperança estava sendo esperado por muitos fãs desde sexta-feira, quando anunciaram que primeiro seria exibido na San Diego Comic Con 2014. E hoje, logo de madrugada, foi lançado na internet a novidade. Confira:

Se você ainda não conhece a série Jogos Vorazes e é fã de distopias, vale a pena ler os livros e ver os filmes: clique aqui.


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