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outubro 14, 2015 Falando de Resenhas

A Amiga Genial por Elena Ferrante


Elena Ferrante
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Antes de falar sobre o livro, preciso dizer que fiquei bastante curiosa sobre a figura de Elena Ferrante. Por mais de 20 anos é um sucesso enorme na Itália, mas sua real identidade nunca foi revelada. Mais ou menos em junho, vi muitos jornais falando sobre ela, já que foi o período em que seu livro foi escrito, e na maioria das entrevistas que dá – por e-mail – é possível ler nas entrelinhas que é uma escritora desprendida de sua produção. O que quero dizer com isso? Elena, um pseudônimo, faz uso da liberdade de ser anônima e não faz questão que sua imagem influencie em suas obras.

A Amiga Genial é o primeiro livro de uma tetralogia que se passa em Nápoles e, posso arriscar dizer, pode até ser uma biografia. As primeiras páginas do livro começam com Elena recebendo a ligação do filho de Lila, que desapareceu aos 66 anos. Então, este livro é um relato, desenvolvido pela revolta de ver sua amiga desaparecida, ou seja, acabamos descobrindo como as duas se conheceram e o que as torna tão especiais.

A Amiga Genial

Elena Greco e Rafaella Cerullo são duas garotinhas diferentes. Enquanto Lila é destemida e muitas vezes cruel, Lenu se admira com aquela atitude e precisa de um modelo, alguém para se espelhar. Isso é bastante normal em muitos momentos da infância. Mas, com o passar do tempo, a relação entre as duas se torna uma competição em tudo: nos estudos, na vida social, nos relacionamentos e até quando o assunto é ter um namoradinho. É visível que a maior parte desta competição parte de Lenu, pois ela acredita, e muitas vezes se diminui, que Lila é melhor em tudo e sem fazer esforço algum.

Por trás da história entre as duas amigas, temos uma Nápoles que acabou de sair da Segunda Guerra. Elena não fala somente sobre amizade, ela vai guiando o leitor por muitos viés. Ela retrata como os vizinhos das meninas se viram e o que aconteceu com eles depois da onda Fascista, como a violência afetou o lugar onde viviam, como a pobreza encontrou o bairro onde viviam e principalmente, como a máfia é retratada.

A Amiga Genial

A narrativa tem um toque bastante diferente de tudo o que eu já tinha visto até hoje. Quando Elena fala sobre violência, existe um medo que está presente na forma como narra, mas ao mesmo tempo é velado, e temos a sensação que a qualquer momento algo de ruim acontecerá. É como se ela estivesse esperando uma bomba explodir no meio do bairro e que os vizinhos começassem a se atacar a qualquer momento. Isso é provavelmente muito da experiência da autora, por retratar algo que viveu em Nápoles.

Como leitora, não foi um livro fácil de digerir e compreender onde a autora e a personagem que narrava sua história gostariam de chegar. Em determinados momentos me vi cansada e estagnada em algumas passagens, mas no final, ao ler a última página, a última linha, me senti extremamente feliz de ter conhecido a história destas duas amigas e conhecer a forma que Elena Ferrante a narrou. O mais engraçado é que concordo com a autora, sua imagem não influenciou em nada do que senti ao final da leitura, ela criou uma ficção que acabou mostrando muitas verdades, coisas que vão além do que é ser bom e mau.

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