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setembro 16, 2013 Falando de Resenhas

As Virgens Suicidas | Jeffrey Eugenides


As Virgens Suicidas

Título: As Virgens Suicidas
Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras
Skoob: Adicione!
Compre o livro: CULTURA | SARAIVA
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

O cenário é o de um típico subúrbio americano dos anos 70. Mas são as forças de Eros e Thanatos que atuam em As virgens suicidas, envolvendo o leitor numa história original, narrada por uma espécie de coro semelhante ao das tragédias gregas. Durante uma festa em sua casa, Cecilia Lisbon, uma garota de 13 anos se joga de uma janela do segundo andar sobre a cerca de ferro. Como uma maldição, num período de um ano, todas as cinco irmãs Lisbon cometem suicídio. Comprimidos, enforcamento, todas as formas são válidas para que, uma a uma, Lux (14), Bonnie (15), Mary (16) e Therese (17) encontrem seu caminho para a morte. A tragédia marca tanto a rotina da vida local que uma investigação é levada a cabo pelos garotos da vizinhança. Passados 20 anos, eles reúnem um mórbido acervo de evidências, que vão desde entrevistas com parentes até diários e boletins de química. Mas os detetives amadores, determinados a descobrir qual a razão daquelas mortes, lutam para achar as peças deste quebra-cabeça que é a alma feminina.

Esse foi um daqueles livros que precisei ler duas vezes e ficar algumas semanas refletindo sobre a história para dar minha opinião final. Não que seja um livro ruim ou algo que vá além da compreensão humana, mas como leitores somos transportados para uma busca, praticamente uma obsessão.

Logo de cara descobrimos que as irmãs Lisbon morrem. Não, não é spoiler ou coisa que o valha, mas algumas pessoas gostam deste tipo construção, outras não. Os meninos que moravam na rua delas simplesmente nos dizem que isto aconteceu e ao longo da história vemos sua quase obsessão por elas. Provavelmente Jeffrey, o autor da obra, tenha traçado este objetivo para a trama e tenha inserido as duas categorias de pulsões humanas desenvolvidas por Freud caracterizadas por Eros, instinto de vida, e Thanatos, instinto de morte, como a sinopse nos apresenta. A partir desta definição posso dizer que as irmãs Lisbon, Cecilia, Lux, Bonnie, Mary e Therese vivem no limiar entre a obrigação que a sociedade nos impõe em sermos felizes e a opressão que olhares de desaprovações que esta mesma sociedade nos lança.

E foi então que Cecilia forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio, e ainda por cima um bilhete inútil, porque ela sobreviveria: “É óbvio, doutor”, ela disse, “você nunca foi uma menina de treze anos”.

A primeira irmã a tentar o suicídio é Cecilia, a mais nova, com apenas treze anos, mas acaba falhando. Mas sua segunda tentativa é muito bem sucedida. Logo após sua morte, para todos da vizinhança, ela apenas libera um veneno no ar que leva suas outras irmãs a seguir seus passos. E é através da visão de cinco garotos que vivem na vizinhança, que se tornaram adultos e não esqueceram as meninas e suas curtas trajetórias, que conhecemos o que acontecem com elas, através da investigação que constroem, o acervo que criam, dos pequenos vestígios que agregam, das coisas que deduzem, de entrevistas com vizinhos e até mesmo os pais das meninas. O livro é ambientado nos anos 70 num subúrbio americano que mostram jovens meninas tornarem-se tão adultas e maduras com tão pouca idade.

As Virgens Suicidas não é apenas um livro que fala sobre suicídio, mas vai além mostrando os conflitos internos e externos que todos precisamos enfrentar e lidar. É um livro profundo, com um estilo diferente, mas que muitos deveriam ler. Assim como os cinco rapazes tentaram desvendar os motivos das mortes das meninas, o leitor também fica vidrado tentando compreender os motivos que as levaram a tomar tal atitude. Ao final do livro é fácil compreender os diversos motivos que elas tinham para cometer suicídio, o que posso dizer que não era apenas por uma questão social, mas por uma questão familiar.

Após ler o livro, fiquei curiosa para saber o que Sofia Coppola produziu em seu filme, que tem o mesmo título. Devo confessar que é uma produção muito fiel, não apenas por muita coisa do livro, falas e cenas, terem sido mantidas, mas por ter uma trilha sonora muito parecida com a que idealizei.



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5 Respostas para "As Virgens Suicidas | Jeffrey Eugenides"

Raquel Moritz - 17 setembro 2013 às 08:49

Oi Thaís!

Gostei da proposta do livro, parece… misterioso?! Sei como é ter que reler o livro (ou partes dele) pra poder formar uma opinião. Ainda não assisti ao filme, vou procurá-lo antes de ler o livro (já que tem uma pá de coisa pra eu ler esse ano ainda, hahaha).

Beijo, flor! ♥

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Jacqueline - 17 setembro 2013 às 14:04

Olá Thaís,
eu estava louca querendo o livro, mas não estou no melhor momento para leituras densas, misteriosas e com tramas puxadas para o lado psicológico.
Bjo

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Barbara Sá - 17 setembro 2013 às 22:04

Ouvi alguns comentários sobre esse livro e fiquei interessada, mas nunca tinha visto nada concreto.
Nossa, a história foge a tudo o que imaginei. Sua resenha me comprou por completo. PRECISO desse livro, haha.

Beijocas,
http://www.segredosentreamigas.com.br

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Fernando Alves - 18 setembro 2013 às 21:21

Oi Thaís,
eu já li esse livro e achei tudo perfeito. a escrita é impecável, os personagens foram muito bem construídos… E o filme também é super legal, conseguiu passar tudo que o livro passou e da forma certa.

Beijos
Fernando Alves

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Mirelle - 22 setembro 2013 às 20:28

Lembro-me de ter assistido ao filme séculos atrás.. mas não me recordo de nada. Esse é um livro que tenho interesse de ler pelo assusto abordado, apesar de forte. Excelente resenha, como sempre. Beijos, Mi

http://www.recantodami.com

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