Opinião sobre filmes
janeiro 03, 2015 Falando de Filmes

Minhas Tardes com Margueritte


Assistir ao primeiro filme do ano e ver uma história encantadora, já é o bastante para mim. Fazia um tempo que estava com vontade de assistir Minhas Tardes com Margueritte, mas depois que a Isabela, do Universo dos Leitores, falou bem do filme, tive ainda mais vontade de vê-lo. Essa é uma história que parece, num primeiro olhar, simples, mas é recheada de superação e compaixão, onde o pano de fundo é o encontro entre uma senhora com seus noventa anos, cheia de sabedoria, e um homem, considerado burro por seus “amigos”, mas que no fundo, não sabem o quanto foi prejudicado na infância.

Germain (Gérard Depardieu) é pau para toda obra. Tem muitos empregos, mas sua principal função é ser feirante. Não é jovem, tem mais de quarenta anos, mas está sempre correndo atrás. Muitas vezes, ao longo da semana, senta-se no banco de uma praça e confere se os pombos que a frequentam estão por lá. Mas certo dia, ele conhece Margueritte (Gisèle Casadesus), com dois tês, uma senhora que vive num abrigo para idosos e não vê muito seus parentes.

A relação entre os dois é alimentada de uma forma linda: cada um dá o que tem e recebe exatamente o que precisa. Germain não sabe ler, portanto Margueritte começa a ler os livros que tanto ama para ele e dá combustível para que perca os julgamentos da infância e o bullying que sofria do próprio professor para trás para tentar aprender. Já Margueritte é uma senhora solitária, incrivelmente inteligente e solitária, e Germain lhe faz companhia diariamente. Além dos problemas que tinha na escola, é válido ressaltar que a relação entre Germain e a mãe não era a melhor que poderia existir, isso também o afetava bastante. Já com as palavras doces e a compreensão de Margueritte, ele foi percebendo que é possível amar, de uma forma diferente.

Nas histórias de amor há mais que amor. Às vezes não há nenhum “eu te amo”, mas se amam.

Confesso que não sabia, mas o filme é baseado em um livro chamado La Tête en Friche. Mas de qualquer forma, o filme é tão envolvente quanto um livro. É lindo ver que Margueritte não tem medo de dividir sua sabedoria, sua paixão pelos livros e suas tentativas de contagiar alguém, mesmo que esse alguém não conheça bem as palavras; e ver Germain com sua sede de aprender, mesmo depois de mais velho, tentando superar-se, é ainda mais bonito. Essa é uma história que consegue te envolver do começo ao fim, que consegue te arrancar sorrisos e suspiros, consegue falar de amor em sua forma mais primitiva e linda.

La Tête en Friche (França , 2010 – 82 minutos)
Avaliação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas
Roteiro: Jean Becker, Jean-Loup Dabadie, Marie-Sabine Roger

março 16, 2014 Falando de Filmes

Filme – Ela



Terminei de ver esse filme com a sensação de: ai meu Deus! Como me expressar? Apareceram tantos sentimentos de uma vez só que fiquei por muito tempo pensando só em Ela e em tudo o que me passou.

Em Ela conhecemos Theodore Twonbly (Joaquin Phoenix), um escritor de cartas que está passando por um momento difícil na vida, enfrentando uma vida solitária por estar enfrentando o processo de divórcio. Amigos estão preocupados com ele por estar apenas trabalhando e não está interagindo e agindo como antigamente, sorrindo e se divertindo.

Theodore vive numa época diferente, em que é possível interagir com os dispositivos pedindo-os que leiam e-mails, escrevam mensagens, liguem e mais uma infinidade de coisas, algo muito próximo da Siri, a voz dos aparelhos Apple. Mas existe uma atualização para esse Sistema Operacional que oferece uma realidade muito maior na relação com os usuários e Theodore o adota. A nova atualização autonomeia-se Samantha (Scarlett Johansson) e acaba conquistando o homem solitário, já que é extremamente interessante para conversar e está em constante atualização e descoberta. É fácil ser conquistado por um ser tão divertido e inteligente, e uma das maiores sensações que temos é que Samantha realmente exista, em algum lugar físico, acontecimento o mesmo com Theodore, que se apaixona por ela e ela por ele.

Ela

É quase surreal, ou bizarro, ter a sensação de que o mesmo que aconteceu com Theodore pode acontecer com qualquer um, a qualquer momento. Lembram do episódio de Big Bang Theory que o Raj se apaixona pela Siri? Pois é, é engraçado ver a mesma situação de uma forma tão diferente e poética em Ela. A essência, para mim, é que é muito fácil se apaixonar por algo que corresponde suas expectativas de uma forma tão elevada e o ser amado é tão perfeito, que a necessidade de algo físico não é tão necessário assim quando as pessoas precisam achar um remédio para os próprios sentimentos.

Esse foi um dos filmes que mais confundiram minha mente, de uma forma boa, claro! Ele é ambientado em Los Angeles, as pessoas são rodeadas de tecnologia de ponta, avançadíssima, mas usam roupas no estilo anos 60 e moram em casas com um toque moderno. Além disso, todos os elementos da história mostram o quanto as pessoas se afastaram com o surgimento de sistemas operacionais e serviços tão avançados. Um grande exemplo disso é que Theodore trabalha como escritor de cartas por encomenda, onde as pessoas especificam o que aconteceu, o que estão sentindo e ele escreve as cartas, falando sobre o sentimento de outras pessoas.

Theodore é um homem sensível que sente falta do carinho e amor que tinha quando era casado, é por isso que se apaixona tão facilmente por Samantha. Ela é um filme sobre tudo, principalmente sobre sentir-se sozinho e ter um amor. É um filme sobre superar uma experiência amorosa e ainda assim conseguir abrir-se, de uma forma diferente ou não, para um outro alguém. É sobre colocar todos os medos no parceiro e torná-lo tão pesado que você cria uma relação impossível de seguir em frente; sobre reconhecer que precisamos perdoar e sermos perdoados, não apenas pelos outros, mas por nós mesmos; sobre encontrar alguém que nos aceita como somos.

Veja Ela e encante-se com uma história de amor futurista, cheia de diálogos incríveis, recheados de reflexão e afeto.

janeiro 05, 2014 Falando de Filmes

Filme – Questão de Tempo


O filme Questão de Tempo conta a história de Tim (Domhnall Gleeson), um britânico grande demais, ruivo e desajeitado, mas super bondoso e divertido, que desejar apenas encontrar um amor. Quando completa 21 anos sua vida muda de maneira significativa e descobre que os homens de sua família são todos viajantes do tempo. Claro que no momento da descoberta ele não acreditava que aquilo era possível e seu pai (Bill Nighy) o ensina como fazer para voltar no tempo: entrar num lugar escuro, geralmente um armário, fechar os punhos e pensar no momento que quer voltar.

A primeira viagem que faz é para um Ano Novo desastroso que consegue consertar, tenta mudar as atitudes que toma quando uma paixão de verão acontece, mas que não terá muitos frutos, e quando encontra Mary (Rachel McAdams), percebe que ela é seu amor.

Tudo poderia ser perfeito se Tim não tivesse voltado no tempo depois de ter conhecido Mary para ajudar Harry (Tom Hollander), um dramaturgo dono da casa em que está morando em Londres. Consequentemente, ao voltar no tempo antes de ter conhecido Mary, no final das contas ele não a havia conhecido. É a partir de então que ele tenta encontrá-la novamente.

Questão de Tempo não é simplesmente um filme com um homem que viaja no tempo, a ideia principal não é exatamente esta. Podemos identificar diferentes filmes com a ideia de voltar no tempo e cada um tem uma propriedade, no fundo, diferente, assim como as consequências que isso pode causar, mas neste é diferente, já que o foco é na vida do personagem e como ele lida com isso. Este é aquele filme que nos mostra que devemos dar atenção aos detalhes que a vida tem e nos dá.

Fiquei simplesmente apaixonada pela história, com sua magia e tudo o que tem para nos oferecer, pelos personagens desajeitados, cheios de verdade e em busca de um amor verdadeiro. A relação que mais me marcou em todo o filme foi entre Tim e o pai, muito próximos e com um carinho tão grandioso. Em contrapartida, temos a relação entre a mãe e a irmã, ambas um pouco distantes mas muito parecidas. O que me deixou ainda mais encantada foi a trilha sonora, músicas perfeitas escolhidas para momentos perfeitos.

Acredito que este filme tenha sido feito para tocar em pontos estratégicos na vida do espectador, já que tanto nós quanto Tim temos pontos em comum. Quem não gostaria de voltar no tempo, fazer diferente, senão melhor? Mas também um dos maiores pontos neste filme é que não podemos voltar no tempo, vivemos tudo apenas uma vez e nada se repete, temos apenas que tirar o proveito devido de tudo.

Se você quer um filme que combina viagem no tempo e uma reflexão super gostosa sobre a vida, este é o filme certo!

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