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setembro 04, 2012 Falando de Editora Martin Claret // Machado de Assis // Resenha

Resenha: Esaú e Jacó | Machado de Assis


Título: Esaú e JacóAutor: Machado de AssisEditora: Martin ClaretSkoob: Adicione!Compare preços: Clique aquiClassificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

Este livro conta a história de Pedro e Paulo, irmãos gêmeos. Ambos se apaixonam pela bela Flora. O romance termina com a eleição dos irmãos ao cargo de deputado, por dois partidos absolutamente irreconciliáveis. Assim cumpre-se uma previsão feita, na infância, por uma adivinha: ambos seriam grandes inimigos.

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Publicado em 1904, “Esaú e Jacó” é o penúltimo romance escrito por Machado de Assis. Este livro conta a história de Pedro e Paulo, irmãos gêmeos nascidos em 1870 e que antes mesmo de nascerem já haviam brigado. Como sabemos disso? Dona Natividade, mãe dos gêmeos, decidiu visitar uma tal cabocla do Castelo, cabocla que toda a população afirmava ser vidente e de confiança. Chegando à consulta com Bárbara, a vidente, Natividade lhe entrega uma foto e os cabelos dos meninos, a cabocla lhe afirma que eles brigaram no passado, no ventre, mas serão grandes homens e apesar da insistência da mãe para maiores detalhes, ela apenas afirma que serão cousas futuras.

– Esaú e Jacó brigaram no seio materno, isso é verdade. Conhece-se a causa do conflito. Quanto a outros, dado que briguem também, tudo está sem saber a causa do conflito, e não a sabendo, porque a Providência a esconde da notícia humana… Se fosse uma causa espiritual, por exemplo…

Os rapazes crescem robustos e fortes, mas a diferença de personalidades e opiniões continuaram grandes, principalmente quando o assunto é política. O receio de Natividade que tudo piore ainda mais é tão grande que pede para o Conselheiro Aires, que tinha uma certa paixão pela mãe dos meninos, ajude na aproximação deles. A relação entre os irmãos começa a melhorar e os conflitos começam a diminuir, principalmente com a mudança de Paulo para São Paulo para cursar Direito e a permanência de Pedro no Rio de Janeiro para cursar medicina.

Neste meio tempo, as relações entre os Santos, família de dona Natividade, e dos Batistas acabam se estreitando. Surge assim Flora, filha de Dona Perpétua e Batista, que a princípio era uma mera companhia para os rapazes, mas com o passar do tempo acabaram gostando da companhia da moça e Flora a gostar da companhia dos rapazes, tanto juntos quanto quando estavam separados. Aparentemente Flora via Pedro e Paulo como uma só pessoa e não demonstrava nenhuma preferência. Mas de uma hora para outra Flora adoece e Dona Natividade também e com este acontecimento a vida dos rapazes muda.

Se eu disser que esta obra já foi o ponto central de algumas monografias vocês acreditariam? Este romance teve pouca relevância em relação às críticas, principalmente se compararmos com “Memórias Póstumas de Brás Cubas” ou até mesmo com “Dom Casmurro”. Mas particularmente vejo como errônea esta definição. Para mim, ao ler “Esaú e Jacó” vi que foi uma das obras machadianas mais bem elaboradas.

O que mais me chamou atenção nesta obra é que além de Aires ser personagem ele também exerce sua função como narrador. E indo mais afundo, o Conselheiro Aires poderia ser o alterego de Machado nesta trama, onde o autor utiliza para transmitir opiniões.

Por Machado ser um escritor realista, ele consegue aproximar ainda mais sua obra do realismo social vivenciado na época. Apesar de os gêmeos fazerem alusão à personagens antigos que fizeram parte da história do mundo, assim como Caim e Abel, mesmo não sendo gêmeos tinham suas desavenças; Esaú e Jacó, retratado no título e também quando Deus disse aos seus país que seriam líderes de grandes nações, o mesmo que a vidente havia feito. Já na mitologia, temos Clitemnestra e Helena de Tróia que tinham personalidades completamente diferentes. Sobre tudo, os gêmeos Pedro e Paulo representavam um conflito político, Império X República. Há também características em que a psicanálise poderia se aprofundar e fazer grandes estudos. Indo mais além, através das concepções Freudianas, os gêmeos poderiam sofrer com Complexo de Édipo, revelado na adoração da mãe e por se apaixonarem pela mesma mulher.

“Esaú e Jacó” é uma obra-prima! Machado de Assis inseriu intertextualidade, humor, ironia e ainda conseguiu, de forma riquíssima, contribuir para entendermos os aspectos históricos e sociais brasileiros, em especial a cidade do Rio de Janeiro.

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