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novembro 21, 2012 Falando de Conto // Edgar Allan Poe // O Gato Preto // Projeto

Projeto Edgar Allan Poe – O Gato Preto


Poe inicia o conto “O Gato Preto” avisando ao leitor que não faz questão que acreditemos na história, afinal, nem ele mesmo, muito menos seus sentidos conseguem aceitar o que presenciara. A partir daí, o narrador-personagem passa a se descrever, se mostrando uma pessoa apaixonada por animais e carregou esse amor para vida adulta. Assim, achou uma companheira que possuía o mesmo amor pelos animais e teve uma variedade deles, mas acaba, em sua história, destacando o gato. Seu nome é Plutão e nosso protagonista o descreve de maneira peculiar: um animal extraordinariamente grande e belo, todo negro e de espantosa sagacidade. Com o tempo, nosso protagonista foi mudando por causa da bebida, tornando-se uma pessoa irritada que além de maltratar a mulher, maltratava seus animais, exceto Plutão. Porém, num dia que chegou em casa muito embriagado, pegou o animal no colo e ele o mordeu, acredito que ficou afetado pela rabugentisse do próprio dono. E com raiva pela mordida que recebera, arrancou a órbita do bichano.

Há algo, no amor desinteressado, e capaz de sacrifícios, de um animal, que toca diretamente o coração daqueles que tiveram ocasiões frequentes de comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade de um simples homem.

O gato ia melhorando, apesar do aspecto horrível que o olho perdido apresentava, não estava sentindo nenhuma dor. Mas, tomado pela perversidade, enforcou o animal. Logo após o ocorrido, sua casa pega fogo e felizmente conseguiu fugir. Entretanto, uma imagem curiosa aparece em uma das paredes da casa: a figura de um gato gigantesco com uma corda enrolada no pescoço.

Assim, com a morte do gato e a aparição na parede, a figura do animal torna-se um símbolo de azar para nosso protagonista. Em certo momento, ele acredita que o gato abriga a alma de uma bruxa e tal ideia é reafirmada quando um segundo gato ocupa o lugar do que havia morrido. Uma das características marcantes relacionadas ao azar é a cor do gato, preta. Apesar do animal ser um símbolo místico em algumas cultura, acredito que o maior motivo do ódio que foi criado por seu dono foi culpa do uso excessivo do álcool. E por culpa deste ódio, que crescia cada dia mais, após matar seu gato e achar um “substituto”, acaba acontecendo algo muito, muito ruim.

O enforcamento do animal pode significar diversas coisas, mas para mim existem três possibilidades: o amor de Poe pelos animais e os maus-tratos, alegoria para uma criança ou até mesmo o assassinato de um escravo. A simbologia da morte de um escravo comparada a morte de um gato negro pode ser ofensiva, não tenho dúvidas, mas na época os donos de escravos os tratavam como animais, poderia fazer o que bem entender, desde ser abusados até mortos. Já como uma alegoria para uma criança, percebemos isso porque o casal não possuía crianças e elas, assim como os animais, estão a mercê dos responsáveis.

Uma coisa curiosa relacionada ao gato, é que seu nome em inglês é “Pluto”, mas se o traduzirmos para o português, vira “Plutão” e “Plutão” é o nome romano de Hades, este, por sua vez, é o deus do mundo inferior e dos mortos. Podemos deduzir que Poe usou este nome para que o animal fosse capaz de usar uma de suas sete vidas e se vingar da pessoa que o maltratou. Outra coisa muito curiosa é que o olho simboliza o pavor de quando tomamos consciência de algo e por causa da culpa pode nos levar a situações aterrorizantes (Chevalier e Gheerbrant, 1998).

No geral, é um conto excêntrico, cheio de pensamentos e atitudes macabras que a mente de um homem doente pode causar. Edgar Allan Poe soube construir um conto com diversos elementos para instigar o leitor, porque ele poderia ter usado um peixinho dourado, um cachorro, mas optou por um gato preto e seu nome deveria ser realmente Plutão porque só assim a obscuridade seria total.

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