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março 03, 2014 Falando de Resenhas

As Crônicas Marcianas por Ray Bradbury


As Crônicas Marcianas

Título: As Crônicas Marcianas
Autor: Ray Bradbury
Editora: Biblioteca Azul
Skoob: Adicione!
Compre o livro: SUBMARINO* | SARAIVA | CULTURA
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

As Crônicas Marcianas descrevem a chegada e posterior conquista de Marte pelos colonos terráqueos. Bradbury lançou os contos em separado desde 1942, em forma de pulps. Ao reuni-los nas Crônicas Marcianas, ele faz uma crítica ao grande medo da época (década de 50), a Guerra Nuclear, críticando também as forças políticas antagônicas da época, em plena Guerra Fria.

Nunca havia lido nada do autor Ray Bradbury e jurava que o primeiro livro que leria dele seria Fahrenheit 451, mas acabei começando por As Crônicas Marcianas e já passei para A Cidade Inteira Dorme e Outros Contos.

É engraçado pensar num livro em que 90% da história é ambientada em Marte e não na Terra ou em outro lugar totalmente fantasioso que nunca nem ouvimos falar. Bradbury trabalhou com medos que permeavam a época em que seu livro fora escrito, a década de 50. Nessa mesma década tivemos o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki com bombas nucleares e o sonho de conquistar um novo planeta com condições de vida tão boas quanto a Terra. O autor não produziu, necessariamente, uma história em que todos os pedaços são interligados, aqui temos um livro contado em forma de contos. E por ser escrito em contos, em alguns momentos temos buracos na história, não sei se isso foi algo projetado pelo autor, mas funcionou de forma muito efetiva para mim, já que foi possível pensar e completar a história da forma que eu achava melhor.

Qual seria o cheiro do Tempo? Cheirava a poeira, a relógios e a pessoas. E se perguntasse qual seria o barulho do Tempo, era como água correndo em uma caverna escura, vozes gritando, sujeira caindo pelas tampas das caixas vazias, e chuva.

O livro se inicia em janeiro de 1999 e termina em outubro de 2026. Num primeiro momento, somos apresentados à vida em Marte, como os marcianos cozinham, como vivem, a aparência que têm, os poderes e até mesmo como reagem a determinados pensamentos. Percebemos também que, com a aproximação da Primeira Expedição de tripulantes da Terra para Marte, eles começam a mudar e a ser, de certa forma e apesar da distância, afetados pelos terráqueos. A primeira, segunda e terceira expedições falham na tentativa de retornar um relatório sobre o planeta e apenas com a Quarta Expedição, quando algo acontece com os marcianos e apenas alguns sobrevivem, que Marte passa a ter o início do processo de colonização. Devo deixar claro que as três primeiras expedições pousaram em Marte com sucesso, com todos os tripulantes vivos, mas o processo entre o pouso e o contato com os marcianos tiveram muitos altos e baixos, mais baixos que altos, e foi isso o que afetou tudo. Vale a pena ler para saber tais motivos, porque em cada momento da história o povo de Marte reagia de uma forma diferente aos humanos, defendendo-se da forma que conseguiam.

As Crônicas Marcianas

O que mais me atraiu nesse livro foi o fato de, numa época totalmente diferente, o autor conseguiu criar atributos e características incríveis para seus personagens, lugares e, ainda assim, criticar as atitudes humanas. Bradbury mostra em suas crônicas que os humanos não respeitam o que encontram, precisam modificar tudo da maneira que bem entendem, algo que seja comum para eles. Estão sempre buscando fontes de lucro, esquecendo-se de apreciar àquilo que realmente têm e podem, diferentes lugares e culturas, oferecer. O homem pode tentar fugir da sua natureza, mas a tentativa e o desejo por controle estará sempre presente. Com a ameaça de uma guerra nuclear, algo criado pelo próprio homem, eles vão atrás de algo novo para si mesmo, mas o autor nos mostra que o homem não sabe lidar com o novo.

– Não vamos destruir Marte – disse o capitão. – É grande e bom demais.
– O senhor acha que não? Os homens da Terra têm talento para acabar com coisas grandes e belas. A única razão por que não montamos barraquinhas de cachorro-quente no meio do templo de Karnak, no Egito, é porque estava fora de mão e não era uma grande oportunidade comercial.

Os personagens que conhecemos são, de certa forma, muito crus, não os conhecemos profundamente, mas a parte que conhecemos é bem intensa. Fiquei encantada por Spender, um dos personagens que mais mostram a criticidade que vi em Bradbury, e um dos poucos que consegue ver que adaptar-se é mais fácil que repetir erros antigos. E por esse ser um livro constituído por contos, muitas vezes vamos perder o contato com vários personagens rapidamente, sentir falta de alguns e querer que outros desapareçam nas primeiras linhas.

Se você é fã de ficção científica, vale a pena ler As Crônicas Marcianas. Esse é um livro diferente, que não tem a preocupação de ser sutil, é até mesmo seco e duro em diferentes momentos e aspectos. Leia-o sem esperar nada e encontre nesse novo planeta uma critica à sociedade e ao mundo que vivemos. Ray Bradbury é um gênio!



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7 Respostas para "As Crônicas Marcianas por Ray Bradbury"

Duda Menezes - 03 março 2014 às 12:58

Oi, Thaís,
Eu me apaixonei por esse livro. Adorei a crítica ácida do Bradbury e a forma como ele a passou. Já tinha lido dois livros do autor anteriormente, mas esse tornou-se o meu favorito <3 Agora é ver o que acho de A Cidade Inteira Dorme, mas estou mais que empolgada.
Beijos!

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Anna Schermak - 05 março 2014 às 15:15

Oi Thaís! Adorei sua resenha 😉 Vou ter que ler o livro mais rápido agora pq pelas minhas previsões a leitura ia ficar só para julho.

Beijocas!
http://pausaparaumcafe.com.br/

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Bruna - 05 março 2014 às 18:44

Oi Thais
Primeira resenha que vejo do livro e já me interessei, o livro já tinha me ganhado pela capa e agora ao ver que os contos se passam em Marte, me ganhou por inteira. Vou ver se leio o mais rápido possível,foi pro desejados. <3
Brubs
contodeumlivro.blogspot.com.br

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Isabela Lapa - 05 março 2014 às 21:39

Olá! Nossa, eu adoro o Ray! Ainda não li esse, mas estou com ele aqui e super ansiosa para começar… Li A Cidade Inteira Dorme e Outros Contos e também ameeei!

Bjs!

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Robson Gabriel - 06 março 2014 às 11:43

Gente, eu sou louco pelo Ray. Eu li Fahrenheit ano passado e me apaixonei imensamente! Eu recebi esse e A Cidade Inteira dorme da Globo e estou extremamente ansioso para ler!

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Raquel Moritz - 06 março 2014 às 21:45

Há, adoro esse senso crítico do Ray. E ele tá certo, o homem não sabe lidar com o novo, e isso não é coisa de ficção. Cara, essas capas da Globo Livros tão uma LINDEZA.

#apaixonada<3

bjsss

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Raquel Moritz - 06 março 2014 às 21:46

PS: CLICANDO NOS LINKS COM * pq são mais baratos 😀

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