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junho 10, 2014 Falando de Resenhas

Dias Perfeitos por Raphael Montes


Dias Perfeitos

Título: Dias Perfeitos
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Skoob: Adicione!
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Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema.

Enquanto estava lendo Dias Perfeitos, algumas pessoas perguntavam se era bom, e eu respondia: é bizarro! Mas preciso explicar, esse é aquele tipo de livro que mexe com o psicológico do leitor, deixando-o dividido e sem saber exatamente o que pensar sobre o protagonista e suas atitudes. Dias Perfeitos é um livro bizarramente incrível.

Dias Perfeitos - Raphael Montes

Conhecemos Téo, um estudante de medicina que é aparentemente normal, mas não possui tanta afeição às pessoas que o rodeiam, sendo assim, uma pessoa que não gosta muito de socializar. Podemos perceber isso ainda mais de perto quando vemos a relação que possui com Gertrudes. Você pode achar que Gertrudes é uma mulher exemplar, que sabe lidar com Téo e suas peculiaridades, mas ela é apenas o cadáver que faz parte de sua aula de anatomia.

Téo vive com a mãe, uma cadeirante, e age da forma que todo filho amoroso deveria. Mas é apenas isso, ele simplesmente segue os padrões sociais existentes, agindo de forma pré-planejada, nada é por puro impulso. E uma das características mais marcantes dele é ser muito metódico em diferentes aspectos.

A relação do leitor com Téo vai se desenvolvendo por camadas, a cada página virada descobrimos mais e mais sobre seus pensamentos, teorias e vontades. E quando conhece Clarice num churrasco, algo muda dentro dele. Não sabemos se é amor ou uma psicopatia que ainda não havia sido aflorada. Digo isso porque ele se encanta pela menina que estava um pouco bêbada e se mostrava muito desprendida dos padrões sociais. Descobriu seu telefone, onde estudava, onde morava e queria que ela sentisse a mesma coisa que ele estava sentindo, mas isso não aconteceu e ele foi obrigado a tomar uma atitude, tentar convencê-la de que ele é um bom rapaz e podia fazê-la feliz. Ele a agride, a mantém sedada e é a partir daí que descobrimos como será a relação entre Téo e Clarice.

Quando Patrícia saiu do quarto, Téo abriu as gavetas da cômoda e pegou o antigo revólver do pai. Guardou-o na maleta, pois não havia espaço na valise com senha. Ele estava confiante: viajaria com Clarice para Teresópolis, iria conquistá-la aos poucos e – riu do trocadilho – juntos viveriam dias perfeitos

Raphael Montes conseguiu criar um ambiente dividido entre o amor, ou o pensar que é amor, e as atitudes extremadas que as pessoas doentes podem tomar. No início da leitura me deparei com um Téo calmo, mas que ainda assim não gostava de estar com as pessoas e formar de se expressar como o choro, ficar emocionado e coisas do tipo são degradantes e desagradáveis aos olhos dele. Para Téo, nada disso faz sentido. O autor criou um personagem complexo, não apenas na histórias, mas em relação a tudo o que possa representar: pessoas que batem em outras, que matam, mantém em cativeiro e dizem que tudo isso foi por amor.

A narrativa criada e o desenrolar da história são sublimes. E tudo vai acontecendo de uma forma tão possível, que não consegui diferenciar entre a realidade e a ficção. E para ser sincera, ainda não consigo saber o que pensar desse amor cheio de obsessão que existe na relação entre Téo e Clarice, mas a maior certeza que tenho, é que essa história é algo de tirar o fôlego, de deixar o leitor pensando e repensando nos acontecimentos.

Se você gosta de literatura policial, apesar de Dias Perfeitos não ser apenas isso, vale a pena conhecer a história que Raphael criou, com todas os seus tons obscuros, seu toque de psicopatia e uma pitada de amor.

O booktrailer ficou simplesmente sensacional! Já viram?



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4 Respostas para "Dias Perfeitos por Raphael Montes"

Raquel Moritz - 11 junho 2014 às 10:26

Mas gente! Curti a proposta do livro! Sério que ele é amigo da Gertrudes? AHUEHAUEHAE, achei engraçado e meio mórbido, mas engraçado principalmente.

É ótimo ver talentos despontando assim, com controle da narrativa, sabendo onde querem chegar com a história. Curti bastante! :}

Beijoca ♥

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Giulia Ladislau - 11 junho 2014 às 12:15

Onde compra coragem pra eu tomar e ler o livro? Cagona do jeito que sou – e impressionada como fico – é capaz de eu sonhar 1 semana com o Téo. =/ Hauhauhauhau
Só ouço falar bem de Dias Perfeitos, a curiosidade tá batendo.
Beijinhos!
Giulia – prazermechamolivro.com

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Anna Schermak - 15 junho 2014 às 13:11

Esse livro tem tudo o que eu gosto e isso até me dá um pouco de medo de ler, nunca sei o que realmente pode acontece e vai que eu detesto o livro? Mas acho que isso não vai acontecer. Preciso aproveitar que estou com ele aqui e criar vergonha na cara e ler ele.

Beijinho!

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Suicidas por Raphael Montes - Pronome Interrogativo • Blog e Canal • - 03 maio 2016 às 10:56

[…] primeiro livro que li do Raphael foi Dias Perfeitos, onde fiquei encantada com a história e, como disse, me simpatizei com uma pessoa doente. O […]

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