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maio 31, 2013 Falando de Entrevista

Entrevista com Gail Carriger, autora de ‘Alma?’


Gail Carriger

É um objetivo que tenho trazer entrevistas para o blog de autores cujos livros eu amei. Mas nem sempre, seja nacional ou internacional, o autor tem tempo hábil para se dedicar às perguntas como queria e isso é algo completamente compreensível. Porém, a queridíssima Gail Carriger, autora da série Protetorado da Sombrinha, lançada aqui no Brasil pela editora Valentina, respondeu algumas perguntinhas que fiz e espero que vocês gostem!

1- Qual foi o maior motivo que a levou a se tornar uma escritora?

Uma dose saudável de loucura misturada com o descuido imprudente pela minha própria sobrevivência coberta com tendências escapistas enraizadas.
(Resposta original: A healthy dose of insanity mixed with a reckless disregard for my own survival topped with ingrained escapist tendencies.)

2 – Vemos em Alexia Tarabotti uma mulher muito pragmática e independente. Por que ela age dessa forma?

O maior efeito colateral de ser sem alma é o pragmatismo. Isso torna Alexia ao mesmo tempo típica e fantasticamente atípica para uma mulher da era vitoriana. Os aspectos atípicos vêm do fato de que, por ser sem alma, ela simplesmente vê o mundo de outro jeito. Além disso, ela não tem absolutamente nenhuma habilidade criativa e muito pouca imaginação. Entretanto, por causa de seu pragmatismo ela reconhece esses defeitos em si mesma e tende a se envolver com amigos, intencionalmente ou inconscientemente, que compensam suas próprias inaptidões. Alexia não é uma daquelas heroínas que enfrenta, uma mulher contra a máquina. Ela procura por conselho, viaja acompanhada, e tem coisas feitas por um comitê, que também é um efeito colateral de sua falta de alma. Como a série continua, felizmente, isso será esclarecido assim como algumas outras consequências biológicas.
(Resposta orginal: The biggest side effect of being soulless is pragmatism. This makes Alexia both typical and wildly atypical for a female of the Victorian era. The atypical aspects come from the fact that, being soulless, she simply sees the world differently. She also has absolutely no creative skill and very little imagination. However, because of her pragmatism she recognizes these flaws in herself and tends to surround herself with friends, intentionally or subconsciously, who compensate for her own inabilities. Alexia is not one of those heroines who charges forth, one woman against the machine. She seeks out advice, travels in company, and gets things done by committee, that’s also a side effect of her lack of soul. As the series continues, hopefully, this will become clearer as will a few other biological consequences.)

3- Gail, você criou um mundo onde vampiros, lobisomens, fantasmas e humanos vivem em paz, com uma ótima relação, participando e dividindo os mesmos problemas sociais. Mas a maioria dos livros nos mostra um universo supernatural diferente. Como você conseguiu construir um universo assim?

Eu simplesmente voltei para as origens da mitologia do vampiro ocidental. Meus vampiros são uma paródia dos monstros góticos originais e, ao mesmo tempo, zombam da metamorfose moderna. Eu não penso muito sobre isso, na verdade tento não ler muitos livros de vampiros modernos, não quero ser influenciada.
(Resposta orginal: I simply went back to the roots of the western vampire mythology. My vampires are a parody of the original gothic monsters while at the same time poking fun at the modern metamorphose. I didn’t think about it very much, in fact I try not to read too many modern vampire books, I don’t want to be influenced.

4- Por trás das aventuras e investigações, podemos ver uma pitada de preconceito relacionado às características da nossa protagonista, tanto em relação a cor, quanto para a condição de solteirona para a idade. Por outro lado, você também mostrou que um vampiro em especial sofreu preconceito, quando se transformou, de sua própria família. Qual foi seu objetivo ao inserir esses elementos?

O lado vitoriano do steampunk é vital para os meus personagens e para o meu prazer de escrevê-los. Sinto um prazer imenso quando trabalho com metáforas modernas – uma grande heroína urban fantasy, um bárbaro macho alfa, um extravagante homem gay – e torná-las agradáveis em uma classe britânica de 1870 com sistema de etiquetas. De repete minha grande heroína tem uma língua mais afiada que uma faca, está preocupada em exibir seus tornozelos, e constantemente procura tanto uma função útil na sociedade e amigos que valorizam sua inteligência e perspicácia. Meu macho alfa se torna um lobisomem que vai de encontro as regras de uma educada sociedade e roupas apropriadas. Meu vampiro gay extravagante pega emprestado tanto de Oscar Wilde quanto de Pimpinela Escarlate, manipulando os fios da sociedade ao longo dos séculos, suas relações amargas e complexas, permitindo que seja mais que apenas um melhor amigo gay.
Eu realmente sinto que sem o steampunk definindo, os personagens não seriam tão completos. Eles precisariam de outros – possivelmente mais artificiais – componentes e esforços, e francamente não acho que gostaria tanto de escrevê-los. Eu amo a tensão que o mundo vitoriano dá para qualquer tipo de mentalidade moderna. Todos os meus personagens estão se esforçando para equilibrar suas verdadeiras naturezas contra as pressões da sociedade e por sua vez contra as sensibilidades modernas (informado, é claro, pelo seu criador que é definitivamente uma criatura do mundo contemporâneo). Isso me dá um conflito de cultura para brincar e nada é mais excitante para mim como escritora. Isso ajuda com as roupas de antigamente são muito mais fabulosas!

(Resposta orginal: The Victorian side of steampunk is vital to my characters and to my enjoyment of writing them. I experience gleeful delight when taking modern tropes ~ a strong urban fantasy heroine, barbaric alpha male, flamboyant gay man ~ and making them play nice within an 1870’s British class and etiquette system. Suddenly my strong heroine has to cut more with her tongue than a knife, is worried about showing her ankles, and constantly seeks both a useful role in society and friends who value her intelligence and wit. My alpha male becomes a werewolf chaffing against the rules of polite society and proper dress. My flamboyant gay vampire borrows from both Oscar Wilde and the Scarlet Pimpernel, manipulating the threads of society over centuries, his relationships bittersweet and complex, allowing him to be more than just a gay BFF.
I genuinely feel that without the steampunk setting the characters would be less whole. They would need other ~ possibly more artificial ~ components and struggles, and frankly I don’t think I would enjoy writing them as much. I love the tension a Victorian world gives any kind of modern mind set. All my characters are struggling to balance their true natures against the pressures of society and in turn against modern sensibilities (informed, of course, by their creator who is quite definitely a creature of the contemporary world). This gives me a conflict of culture to play with and nothing is more exciting to me as a writer. It helps that the clothing back then was just so much more fabulous!
)

5- Quais são seus maiores hobbies?

Eu gosto de costurar, dançar, cozinhar e comer. Todas essas coisas influenciam para os livros: Alexia é obcecada por comida e eu estou sempre descrevendo a forma como as pessoas se movem e o que elas estão vestindo.
(Resposta original: I like to sew, dance, cook, and eat. All of these things creep into the books: Alexia is obsessed with food and I’m always describing the way people move and what they are wearing.

6- Deixe uma mensagem para seus fãs do Brasi!

Espero que vocês curtam ler sobre Alexia o tanto que eu curtir escrever sobre ela!
(I hope you enjoy reading about Alexia as much as I enjoyed writing her!)



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5 Respostas para "Entrevista com Gail Carriger, autora de ‘Alma?’"

Bel Vicentin - 01 junho 2013 às 11:34

Adorei a entrevista, Thá! Suas perguntas foram ótimas (e só me deixaram mais curiosa pra ler Alma? #xatiada) e a primeira resposta me deixou pensando até agora, rs. Deve ter sido excelente ter suas perguntas respondidas por uma autora internacional que tá fazendo bastante barulho pelos blogs nacionais, né? <3
Beeijos
Bel

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Rachel Lima - 01 junho 2013 às 19:38

Eu estou morrendo de vontade de ler este livro só por esta entrevista. A Gail é adorável. Adorei as respostas que ela deu a entrevista e servirão muito bem para me deixar curiosa. <3
Beijos!

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Rodrigo Lessa - 01 junho 2013 às 20:43

Que bacana! Eu não sabia ao certo a história do livro e depois com essa entrevista pude observar o quão o livro dela deve ser fascinante. Já pretendo ler. Gostei muito mesmo, ainda mais dessa mulher, com esse linguajar, ela é foda Thais 😀

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Thaís Lemos Cavalcante
junho 2nd, 2013 em 13:21
respondeu:

@Rodrigo Lessa, você expressou exatamente o que penso dela e em poucas palavras! hahahaha

Ela é genial, cara. Vale muito a pena ler Alma?. O livro além de ser interessante, por misturar vários seres, tem uma história muito boa! 😀

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Ju Zanotti - 04 junho 2013 às 09:53

Me explica como foi que não havia visto essa entrevista antes de hoje? Sério Thá, eu adorei, parabéns pela iniciativa. E sabe que vi em Akeldema um pouquinho de Oscar Wilde mesmo 🙂 Essa escritora é uma figura, deve ser bem doidinha.

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