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abril 13, 2014 Falando de Resenhas

Menino de Ouro por Abigail Tarttelin


Menino de Ouro

Título: Menino de Ouro
Autor: Abigail Tarttelin
Editora: Globo Livros
Skoob: Adicione!
Compre o livro: SUBMARINO* | SARAIVA | CULTURA
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max. Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo.

A cada livro que leio fico encantada com as possibilidades, tipos de temáticas e universos que cada autor cria. Abigail Tarttelin fala em Menino de Ouro sobre algo que nunca havia visto antes, a intersexualidade, conhecido como hermafroditismo.

A história gira em torno de Max Walker, um menino com quase 16 anos que tem um segredo muito grande, ninguém sabe de sua condição intersexual, além de seus pais e seu amigo de infância, Hunter. Ele poderia ser o rapaz mais revoltado com a vida por causa desse segredo e por ter que suportá-lo por tanto tempo, mas é totalmente o contrário. Max é calmo, centrado, obediente, o melhor filho que qualquer pai poderia ter, o melhor irmão que existe e o melhor aluno, ele é, literalmente, um menino de ouro.

É na adolescência, na faixa dos 15/16 anos, que os meninos começam a descobrir sua sexualidade, não é mesmo? Mas Max é diferente. Ele é considerado na escola como o pegador, mas nunca passou dos beijos com as meninas. Porém, ele acredita que nunca passará realmente dos beijos e morrerá virgem. Max não sabe muita coisa sobre si mesmo e sua condição, mas tudo muda quando Hunter chega bêbado na casa dos Walker e o estupra.

– Você quer? – ele pergunta, com naturalidade. – Você quer que a sua mãe e o seu pai vejam o seu pauzinho de mulher? – Seus lábios se abrem perto de mim. Ele engole em seco. Balança a cabeça minuciosamente, ainda dentro de mim. – Eu não sou gay – ele murmura. – Você não é um cara. Você é… você não é nada.

Em Menino de Ouro temos diferentes aspectos que valem muito nossa atenção, como a descoberta da sexualidade, como é a adolescência de um intersexual, a visão da sociedade sobre o que é normal e anormal no ser humano e o estupro. É claro que vi outros pontos que poderia enumerar para vocês, mas acho muito mais válido descobri-los lendo o livro. Ser intersexual é uma condição bem diferente do que estamos acostumados, mas não é algo anormal, tudo depende de como lidam com isso. Karen, a mãe de Max, não sabe lidar muito bem com essa condição do filho e simplesmente não toca no assunto, não conversa com Max sobre o que ele é, tem medo que a cidade inteira descubra sobre seu filho e prefere ignorar qualquer coisa relacionada a intersexualidade. Já o pai, Steve, apesar de estar num cargo importante, leva as escolhas do filho e seu bem-estar em consideração. Temos aqui, entre a própria família, um conflito de opiniões e para evitar que qualquer coisa aconteça, Max é simplesmente Max, o filho perfeito que faz de tudo para não balançar o barco. A família Walker não é a mais perfeita do mundo, mas tenta se mostrar como uma. Karen se considera a pior mãe do mundo, culpando-se por Max ter nascido intersexual e por ter um filho como Daniel, totalmente diferente de Max, que arruma confusão e não consegue ser perfeito, como o irmão.

Menino de Ouro

Esse é um daqueles livros que consegue te mostrar uma nova perspectiva sobre algo novo, que você nunca havia parado para refletir. Como é a adolescência de alguém intersexual? Como é o pensamento dessa pessoa? Como é crescer num mundo já com tanto preconceito? A autora se mostrou como uma desafiadora, pelo menos para mim, chegando até mesmo a me obrigar a ficar no lugar de Max, saber o que ele estava sentindo e refletindo sobre tudo o que acontecia ao seu redor. Abigail também se mostrou com os pés no chão em relação à realidade da nossa sociedade, mostrando, por exemplo, pais que acreditam que “deixando para lá” alguns assuntos é a melhor coisa a se fazer. Mas pelo contrário, quando você conversa é quando as dúvidas são sanadas, as opiniões e pensamentos são colocados na mesa e assim, é possível fazer a melhor escolha para ambos os lados.

Algo que me chamou bastante atenção, um outro tópico que a autora mostrou de uma forma, até mesmo, polêmica, foi em relação à opinião médica sobre o assunto. Quando conhecemos Archie, a médica que ajuda Max, vemos que ela tem um pensamento diferente de todos os médicos pelos quais ele, quando mais novo, passara. Ela, em vez de tratá-lo como um objeto de estudo, levando em conta sua condição, o tratou como alguém normal, apesar da curiosidade de querer examiná-lo. Já outros médicos o trataram como um macaco, um rato de laboratório. Esse tópico, ao menos para mim, foi algo que soou como uma crítica à medicina e como alguns médicos enxergam determinadas alterações biológicas.

O livro é construído da melhor forma que existe, mostrando a perspectiva de cada personagem. Assim, podemos descobrir o que cada um pensa e como realmente se sente. Max não é o mesmo Max sempre, ele tem duas máscaras: uma quando está sozinho, o rapaz que está triste por dentro e não precisa fingir; e a outra quando está com outras pessoas, quando precisa se mostrar sempre perfeito e feliz.

Menino de Ouro não é apenas um livro sobre um tema diferente, é um livro que mostra que às vezes precisamos dividir o fardo para ser mais leves e felizes. É uma leitura que recomendaria para qualquer pessoa, sem dúvidas, e é por isso que tem SORTEIO para vocês! É só clicar aqui e participar.



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13 Respostas para "Menino de Ouro por Abigail Tarttelin"

Cris Aragão - 14 abril 2014 às 00:35

Eu já tinha visto esse livro mas ainda não tinha lido nenhuma resenha sobre ele, será que ele pode ser enquadrado na categoria de Sick-Lit? Brincadeiras a parte, é um tema diferente e a história em si parece ser bem realista, tocando em vários aspectos, desde as relações familiares, até a relação entre médicos e pacientes e o quanto isso pode ser determinante para a vida do menino da história, fiquei bem curiosa para ler.

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Erick - 14 abril 2014 às 11:58

Quero Muito Ler!
Participando!

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Yuri - 14 abril 2014 às 22:39

Parabéns Pelo Blog(Trabalho)
Desejo Sucesso!
Estou Na Torcida../

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Néa - 14 abril 2014 às 22:46

Participando!

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Paula - 14 abril 2014 às 22:49

Concorrendo

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Leticia Maria - 15 abril 2014 às 16:51

Querendo muito ganhar! 😀

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MARCUS VINÍCIUS DE PAIVA SOUZA - 16 abril 2014 às 18:56

Participando.

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Érika Rufo - 19 abril 2014 às 17:27

Eu já tinha ficada muito interessada nesse livro desde quando li a sinopse e agora lendo a resenha aumentou ainda mais minha vontade! Também nunca li nada sobre intersexualidade e fiquei muito interessada pelo assunto. Gosto de personagens com dilemas como o do Max, sobre ser e parecer. Preciso muito desse livro!! Quem sabe tenho sorte…

Beijos

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ELIZABETH MACHADO SALLES - 19 abril 2014 às 18:24

Fiquei empolgada com a estória. É bem interessante e envolvente. Não esperava gostar tanto assim. Obrigada por seus comentários sobre o livro. Isso me deixou ansiosa pra conhecer mais sobre ele. Beijos.

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Iara - 19 abril 2014 às 18:35

Nossa já vi tanta gente falando sobre esse livro, que a minha vontade de ler só aumenta. Tomara que eu ganhe, assim posso acabar com essa vontade logo.

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Lélia - 19 abril 2014 às 21:29

Adorei a resenha e fiquei mega curiosa pra ler…
Mil beijinhos!

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Douglas Fernandes - 20 abril 2014 às 11:21

Eu ja tinha visto esse livro mas nunca tinha parado pra conhecer mais sobre ele, nem imaginava que abordava esses assuntos, nunca vi nenhum livro com esse tema, fiquei super curioso, eu lembro na escola a professora comentando, mas muito vago… rsrs

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Rosiane Olímpia - 20 abril 2014 às 14:46

Gostei muito da resenha, gostei da resenha, coisas do cotidiano, assuntos familiares, dos personagens, cada um bem caracterizado, cada qual com sua personalidade. Gosto muito de livro assim, com aquele trabalho em caracterizar os personagens. Amei a resenha, parabéns! 🙂

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