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agosto 03, 2013 Falando de Resenhas

O Baú do Tio Quim | Luiz Antonio Aguiar


Persépolis

Título: O baú do Tio Quim
Autor: Luiz Antonio Aguiar
Editora: Biruta
Skoob: Adicione!
Compre o livro: CULTURA | SARAIVA
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

Talvez a cisma tenha começado num desses sonhos com tio Quim, que eram sempre repletos de sustos e imagens estranhas, de labirintos escuros, pelos quais a garota corria, em desespero, sem conseguir encontrar a saída, com a certeza de que havia um monstro faminto no seu encalço. Então, foi de um sonho desses que Dedá acordou, naquele meio da madrugada que muitos escritores chamam de ‘as horas mortas da noite’ e algo, irrestivelmente, no baú, lhe chamou a atenção. Um pressentimento. Como se não estivesse sozinha no quarto. Como se ali, de dentro do baú, o tal troço a estivesse vigiando enquanto ela sonhava. E agora que o sonho fora interrompido, o dito troço mantinha-se fixado nela. Obcecado por ela. Querendo-a em silêncio, imóvel, só olhos.

O baú do tio Quim chega na casa de Dedá causando extremo espanto e curiosidade. Seria bem simples receber um objeto de um parente, mas aquele baú não era nem um pouco esperado, ainda mais com o bilhete que viera junto. O motivo de tanta estranheza é que o Quim, irmão do pai de Dedá havia desaparecido há dezesseis anos e foi considerado morto pelos parentes, já que nunca haviam encontrado o corpo. As únicas lembranças e notícias que Leandro Pai tinha do irmão eram as cartas que tinha recebido relatando aventuras impossíveis e informações que o transformavam no louco da família.

Leandro,
Pode guardar este baú para mim?
Qualquer hora eu passo para pegar.
Um abraço,
Quim

O tio Quim – Francisco, Francisquinho – era visto como uma lenda na família. Até Dedá, que nunca o tinha visto, falava dele com tanta propriedade que parecia ser diferente. E é assim que conhecemos Quim.

Afinal, e o baú? Sem saber exatamente o que fazer, ele simplesmente aparece no quarto de Dedá, como algo natural, que aconteceu, como muitas coisas na família. A menina, depois de algum tempo, começa a desconfiar que o baú está tragando seus pequenos tesouros e é aí que aquele objeto, aquele “caixão”, começa a perturbá-la.

Como é de se imaginar, a história gira entorno da família de Dedá, do tio Quim e do baú, mas cada assunto tem sua particularidade e seu objetivo na trama. Assuntos como a família são sempre trazidos a tona, já que a família de Dedá não é perfeita, tem seus problemas e brigas e a relação de Leandro Filho com seus parentes mostra exatamente essa característica da trama. Além disso, surge algo que deve, principalmente no meio infantojuvenil, ser tratado que é o racismo. Quim, que é um ser distante da realidade das pessoas, e seu baú dão o tom de mistério e aventura à trama.

O Baú do Tio Quim faz parte da série de livros Leituras Maduras da Biruta e o que mais me agradou nela até o momento, já que li dois livros, é que os autores não determinam o caráter e as características das pessoas. Eles, no geral, deixam que os leitores tirem suas conclusões ou até mesmo que completem por si mesmos estas lacunas que ficam em branco. O que, de fato, aflora ainda mais a imaginação e o pensamento crítico.

Apesar de ter apenas 160 páginas, esse seria um livro que indicaria para qualquer pessoa, tanto as crianças quanto adultos é possível encaixá-lo em toda e qualquer realidade.



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3 Respostas para "O Baú do Tio Quim | Luiz Antonio Aguiar"

Glaucea Vaccari - 04 agosto 2013 às 15:14

Nunca ouvi falar desse livro =O
Parece ser bem interessante. A parte dos personagens sem características determinadas eu achei bem criativa. Nunca li nenhum livro assim e nem sei se de fato é bom, mas é no minimo curioso.
Bjo

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May - 05 agosto 2013 às 12:27

Apesar de ainda não ter lido algum livro da editora, acho a Biruta com uma proposta muito interessante e legal. Cativar o público infantil não é fácil, e ela faz isso com tanta maestria, que acabou cativando o público adulto também!

Beijinhos,
May :*

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Amanda Nery - 05 agosto 2013 às 17:48

Que legal, não sei porque esse livro me lembrou um dos primeiros livros que eu li, A bolça amarela.

Bjs

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