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setembro 04, 2014 Falando de Resenhas

O Doador de Memórias por Lois Lowry


O Doador de Memórias

Título: O Doador de Memórias
Autor: Lois Lowry
Editora: Arqueiro
Skoob: Adicione!
Compre o livro: CULTURA | SARAIVA | AMAZON
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

Uma única pessoa é encarregada de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz idéia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado.

Há algum tempo, na verdade desde o início do ano, quando fiz um post falando sobre 10 livros para ler antes de irem para o cinema, estava com muita vontade de ler O Doador de Memórias. Vocês sabem que quando é um livro distópico já me conquista de primeira, não é?

Ao lermos as primeiras páginas, podemos nos deparar com um mundo totalmente perfeito, o que, à primeira vista, é o contrário da ideia de distopia que temos. Mas com o desenrolar da história, percebemos que essa perfeição é superficial e que há muito mais que o leitor e o protagonista podem descobrir.

O Doador de Memórias

Jonas é um rapaz que está prestes a completar 12 anos e logo deixará sua infância de lado. Todos os anos, em dezembro, ocorrem cerimônias para definir o que cada idade poderá fazer e quais seriam suas responsabilidades durante aquele ano. Por exemplo, as crianças com quatro, cinco e seis anos usavam casacos que se fechavam atrás, para que aprendessem a interdependência, para que um ajudasse ao outro a se vestir. Aos 12 anos, o indivíduo se torna adulto e os Anciãos escolhem sua profissão. Jonas estava nervoso porque não sabia exatamente o que seria por participar de todos os trabalhos voluntários possíveis, mas no dia da cerimônia, descobriu que seria o novo Recebedor de Memória.

Ser o Recebedor de Memórias era um cargo considerado muito importante, cheio de honra e doloroso também. Jonas trabalharia todos os dias com o antigo Recebedor de Memórias, agora o Doador, para absorver todas as memórias que ele tinha. Era um trabalho doloroso porque as pessoas não tinham mais suas memórias definidas e tudo o que era ruim estava apenas armazenado com o Recebedor. Mas as boas lembranças, como as cores, o amor, a chuva, estar em família, não existiam mais… Agora existia apenas a Mesmice, onde tudo era igual.

– Nosso povo fez essa opção, a opção de ir para a Mesmice. Antes do meu tempo, antes do tempo anterior ao meu, muito tempo atrás. Desistimos das cores quando desistimos do sol e acabamos com as diferenças. – Calou-se e ficou pensando um instante. – Adquirimos controle sobre muitas coisas. Mas tivemos de abrir mão de outras.

Conhecemos uma sociedade, de fato, muito bem organizada. As famílias só podem ter dois filhos, um menino e uma menina. As profissões são escolhidas por terceiros, não pela própria pessoa, é algo realmente analisado e escolhido de acordo com o serviço de voluntariado que as crianças prestam. Todos prestam serviços voluntários, ajudando de alguma forma a comunidade onde vivem. Mas depois de um tempo, você acaba percebendo que muitos gestos e palavras não possuem sinceridade, como um pedido de desculpas ou até mesmo demonstrar os sentimentos pelos outros. É tudo programado, seguido à risca e no final das contas, nada é sincero. Todos são obrigados a aceitar as desculpas de outra pessoa, todos os dias os membros das famílias se reúnem para falar sobre seus respectivos sentimentos, não é aceitável ser descortês e muito menos tocá-las.

Fazia quatro semanas que não tomava as pílulas. Os Atiçamentos tinham voltado, e ele se sentia um tanto culpado e encabulado com os sonhos prazerosos que tinha quando dormia. Mas sabia que não podia mais voltar para o mundo de ausência de sentimentos em que vivera por tantos anos.

Essa é uma daquelas histórias que nos faz pensar na vida que muitas pessoas andam levando e como será nosso futuro rodeado de gente que não se importam com nada e estão satisfeitos de estarem no mesmo lugar, sem mudar ou melhorar. Seja politica ou socialmente falando, O Doador de Memórias é um livro que mexe com o leitor. A história criada faz todo sentido com os momentos que vivemos. O medo de lidar com lembranças ruins ou solucionar problemas sérios é justamente o motivo de terem um Recebedor de Memórias. E o fato das pessoas poderem desobedecer as regras e irem para Alhures é mais uma forma de colocar rédeas.

Jonas enfrenta um dilema a partir do momento em que ele descobre as coisas boas que existiam antes e poderiam existir, mas que não existem mais por medo das pessoas. Rebelar-se é doloroso, então é mais fácil viver uma vida cinza e do mesmo jeito, todos os dias. Você consegue imaginar um mundo onde tudo é cinza e igual sempre? Seria doloroso e triste.

Esse é um daqueles livros que vale a pena ser lido simplesmente pelos tópicos que apresenta e como são apresentados, principalmente para as pessoas que estão na transição do jovem para o adulto. Lois Lowry tem um escrita fácil e a história desenvolvida contribui para uma leitura rápida. Em alguns momentos, infelizmente, tudo passa rápido de um acontecimento para outro, mas nada que tenha afetado minha leitura de forma significativa, apenas tirando um pouco da fluidez que vi no início. Apesar de ser um livro antigo (1993) e com pouca repercussão e divulgação, essa foi a primeira distopia destinada para o público jovem-adulto (YA). E no dia 11 de setembro estreará no cinema com a participação de Meryl Streep, Taylor Swift e muitos outros grandes autores.

Como disse, é um livro antigo e infelizmente a Editora Arqueiro lançou apenas o primeiro volume de quatro livros, faltando: Gathering Blue, Messenger e Son.

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6 Respostas para "O Doador de Memórias por Lois Lowry"

Carol Della Torre - 05 setembro 2014 às 00:44

Oi Thais, tudo bem?
Terminei de ler O Doador de Memórias há uns dois dias apesar de ter gostado, ele não conseguiu me conquistar. Achei que a autora criou um mundo distópico muito interessante que, como você disse, faz o leitor pensar em muitos “e se”, mas infelizmente, para mim, ela não usou quase nada do potencial do livro. Ela podia ter feito tantas coisas mais! Mas o fato de existir mais três livros que se passam nessa mesma realidade possa resolver esse meu problema, pelo menos eu espero.

Beijos,
http://rehabliteraria.blogspot.com.br/

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Bárbara - 05 setembro 2014 às 09:09

Quando vi o trailer desse filme, fiquei louca pra ler o livro. Também gosto muito de distopias, mas fico um pouco decepcionada porque a Arqueiro: 1) colocou o poster do filme na capa do livro; 2) só publicou o primeiro de uma série (acabei de descobrir isso com a sua resenha). Mesmo assim, parece uma boa história. Talvez eu leia. 🙂

http://blogsemserifa.wordpress.com

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alice aguiar - 05 setembro 2014 às 10:33

poxa a arqueiro só lançou um até agora? espero q eles lancem o resto então.
cara adorei a sua resenha, eu simplesmente amo distopias, tipo antigamente n curtia muito mas agora estou aprendendo a gostar.
eu tenho esse livro na versão física, mas ainda não pude ler.
assim q der ainda esse mês vou dar uma conferida.

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Natália Cunha - 10 setembro 2014 às 19:56

Olá Thais, estou conhecendo seu blog hoje e amei. Adorei a resenha, não conhecia o livro até pouco tempo, só fiquei sabendo depois que vi o trailer do filme, já estou com ele no kobo e já irei iniciar a leitura! Não sabia que ele era tão antigo e que tem mais 3 livros, espero que a Arqueiro lance os outros 🙂
bjs

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rose - 24 setembro 2014 às 12:31

Amei a resenha!!!
Mas fiquei decepcionada ao ver que a capa do livro é a mesma do filme!!! gosto quando o livro tem a capa original.

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Sorteio: Ingressos para "O Doador de Memórias" - Pronome Interrogativo - 24 setembro 2014 às 18:55

[…] livro O Doador de Memórias virou filme! Falei um pouco de como é a história na minha resenha (aqui) e, sem dúvidas, muitas pessoas estão curiosas para saber como é o filme. Pensando nisso, a […]

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