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maio 15, 2013 Falando de Resenhas

O Espadachim de Carvão | Affonso Solano


Resenha O Espadachim de Carvão

Título: O Espadachim de Carvão
Autor: Affonso Solano
Editora: Fantasy – Casa da Palavra
Skoob: Adicione!
Compre o livro: SARAIVA | SUBMARINO | CULTURA
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

Filho de um dos quatro deuses de Kurgala, Adapak vive com o pai em sua ilha sagrada, afastada e adorada pelas diferentes espécies do mundo. Lá, o jovem de pele absolutamente negra e olhos brancos cresceu com todo o conhecimento divino a seu dispor, mas consciente de que nunca poderia deixar sua morada. Ao completar dezenove anos, no entanto, isso muda. Testemunhando a ilha ser invadida por um misterioso grupo de assassinos, Adapak se vê forçado a fugir pela vida e se expor aos olhos do mundo pela primeira vez, aplicando seus conhecimentos e uma exótica técnica de combate na busca pela identidade daqueles que desejam a morte dos Deuses de Kurgala.

Em O Espadachim de Carvão encontramos em Adapak um ser curioso que ultrapassa a definição de herói dos outros e transforma-se no herói de sua própria vida. Affonso Solano não apenas criou um novo universo, como também abusou de figuras mitológicas e lutas fantásticas.

– Bom, as Tábuas Dingirï contam que no começo de tudo, Kurgala era um enorme mar sem fim. E os espíritos de Abzuku e Tiamatu eram seus senhores, e nada mais além deles existia.
– Nada?
– Nada. E então um dia os Dingirï desceram dos céus, e seus nomes eram Anu’ När, o Artesão; Enlil’ När, o Viajante; Enki’ När, a Voz e Nintu’ När, a Lança.

Somos apresentados ao universo de Adapak abruptamente, no meio de uma perseguição onde ele acaba sendo encurralado por um grupo de assassinos. Depois de aniquilar facilmente seus algozes guiado pelos Círculos, Adapak se depara com o líder do grupo com uma relíquia muito familiar, pronunciando uma única palavra: Ikibu. Quem são os perseguidores? O que aquela palavra significava? Porquê Adapak estava sendo perseguido? São essas perguntas que o leitor e Adapak precisam descobrir.

Nosso protagonista é bem diferente, com olhos inteiramente brancos e pele negra como o carvão, apesar dos outros seres de Kurgala não terem uma aparência tão normal aos nossos olhos, mas ainda assim acaba se destacando. Mas além da peculiaridade externa, Adapak é extremamente inocente e até politicamente correto demais. Apesar de ser filho de um deus, fora criado afastado da convivência com outras pessoas e acabou sendo um poço de conhecimento, mas sem a ideia prática de como as coisas são e funcionam lá fora, principalmente por nunca ter saído do Lago Sem Ilha.

Achei o início da jornada um pouco confusa, entretanto, depois de acostumar-se com a forma que a história é estruturada, tudo começa a fazer sentido. Affonso desenvolveu uma trama extremamente prazerosa de ser lida, principalmente na transição de um capítulo para o outro, instigando o leitor e deixo-o ainda mais curioso para conhecer todos os mistérios de Kurgala e Adapak. Somos facilmente enviados para o passado do Espadachim de Carvão e com a mesma facilidade trazidos de volta para seu presente. Foi fácil se sentir realmente inserida na aventura pela forma minuciosa de descrever que o autor tem, desde objetos até acontecimentos, mas de forma sutil, nada cansativa.

O mais curioso e interessante para mim foi que o autor criou não apenas um livro, mas uma série de livros dentro de um mesmo livro. Por Adapak estar sempre sob a proteção de seu pai, sua maior companhia foram os livros, mais especificamente uma série sobre aventuras dos irmãos Tamtul e Magano. Além dos livros, criou crônicas, escrituras sobre os Dingirï e medidas. Affonso Solano não criou apenas um personagem em uma aventura, criou um universo fantástico inteiro com uma cultura diferente, materiais para produção de artefatos, plantas, um novo estilo de luta e até mesmo animais.

Aparentemente Affonso criou um mundo e uma população bem parecida como a que vemos hoje, com a diferença das crenças, mesmo tendo os mesmos deuses, a criação de templos para cada deus que a pessoa se identifica e a forma como Abzuku e Tiamatu queriam decidir o destino da humanidade, muito parecida com relatos bíblicos. Adapak também se aproxima muito da forma que Dom Quixote pensava que o mundo fosse e a trama também tem uma característica bem marcante do mito da caverna, de Platão.

O Espadachim de Carvão é a demonstração palpável que o brasileiro sabe muito bem como criar fantasia de qualidade. Apesar de ter esperado um final mais aprofundado, assim como o restante da trama, esse é um livro que sem dúvidas indicaria para qualquer fã de literatura fantástica. E se por ventura o livro virasse HQ, seria um sucesso ainda maior, acredito.



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5 Respostas para "O Espadachim de Carvão | Affonso Solano"

Mirelle - 15 maio 2013 às 20:19

Já tinha ouvido falar desse livro, mas depois de ler sua resenha fiquei super curiosa para lê-lo. Adoro quando os autores têm criatividade suficiente para criar mundos novos, e mundos dentro de mundos como foi o caso desse livro. Valeu pela dica. Beijos, Mi

http://www.recantodami.com

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Paloma Viricio - 16 maio 2013 às 14:09

Hum…que tudo de bom! Nunca tinha ouvido falar no livro, mas adoreiii logo de cara. Figuras mitológicas? ADOROOO! Pena que o começo do livro é meio lento.
Beijos!
Paloma Viricio- Jornalismo na Alma.

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Bruna - 17 maio 2013 às 16:49

Não conhecia o livro, mais achei interessante. Acho que livros que começam confusos e depois se encontra, nos prende a leitura.
Parabéns pela resenha
Brubs

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Thaís Cavalcante - 17 maio 2013 às 22:54

@Bruna apagado! hehehe <3

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Ju Zanotti - 04 junho 2013 às 10:09

Tinha lido uma resenha desse livro a pouco tempo, aliás tentado ler, mas a pessoa entrou em tantos detalhes e descreveu minuciosamente alguma criaturas e passagens que eu sinceramente quase desisti do livro. Só não fiz isso pq ainda tinha esperança de que poderia ser melhor do que a outra blogueira mostrou ser, sim, ela elogiou, mas tornou a história enfadonha. Mas aí eu venho aqui e assim como foi com A probabilidade estatística do amor a primeira vista, que por sinal eu já terminei e amei, saio daqui com uma vontade imensa de ter o livro na minha estante para ontem! Sério tá acho que já disse adoro suas postagens e a forma como vc apresenta suas resenhas, é uma inspiração. Quem sabe um dia eu chego lá 🙂

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