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março 19, 2013 Falando de Resenhas

Memórias de Um Amigo Imaginário | Matthew Dicks


Título: Memórias de Um Amigo Imaginário
Autor: Matthew Dicks
Editora: iD
Skoob: Adicione!
Compre o livro: BOOK DEPOSITORY | SARAIVA
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

Enquanto Max acreditar em mim, eu existo. Posso precisar da imaginação do Max para existir, mas tenho os meus pensamentos, as minhas ideias e a minha vida, tudo isso separado dele. Max não gosta de gente da mesma forma que as outras crianças gostam. Ele gosta das pessoas, mas bem de longe. Quanto mais afastado alguém ficar de Max, mais ele vai gostar dessa pessoa.

Engraçado, nunca tive um amigo imaginário! Nem tentar, eu tentei! Você já? O Max, rapazinho que conhecemos em Memórias de Um Amigo Imaginário, tem um e ele se chama Budo. E é através dele que conhecemos o universo dos amigos imaginários.

Max é um menino diferente. Não digo isso pelo fato de ter um amigo imaginário, mas pelo jeito que o autor o apresenta para o leitor. Em nenhum momento é afirmado que ele é autista, mas seus trejeitos e a forma de relacionar-se com as pessoas mostram traços bem vivos disso. Os pais de Max não sabem exatamente o que ele tem, por isso vivem num impasse e, infelizmente, acabam discutindo. É nas discussões e nas descrições que Budo nos apresenta que vemos algumas das características do autismo, como: não gostar de mudanças, não gostar de contato físico, não olhar as pessoas nos olhos, tem dificuldade de fazer amigos, dentre outras características. É curioso, porque o autor tratou o autismo, apesar de não conhecer extremamente a fundo essa disfunção, de uma forma sutil, mas muito interessante.

Budo é o amigo imaginário de Max. Ele é uma raridade em seu mundo por existir há 5 anos, nunca conhecera nenhum outro que existiu por tanto tempo. Por ser fruto da imaginação, tem características próprias, assim como todos os outros amigos imaginários que conhecemos, como atravessar portas e poder sair sem ser junto do Max, porque foi imaginado assim. E por poder ficar longe de seu amigo imaginador, ele acaba conhecendo outros lugares e pessoas, o que faz com que ele seja bem esperto e conheça muitas coisas diferentes, mais até mesmo que Max. Budo é bem maduro, mas tem a essência de uma criança com sua inocência. Ele também conhece exatamente como Max é e sabe como respeitar seu espaço.

Enquanto Max acreditar em mim, eu existo. Pessoas como a mãe do Max e minha amiga Graham dizem que é isso que me faz imaginário, mas não é verdade. Eu posso precisar da imaginação do Max para existir, mas tenho os meus pensamentos, as minhas ideias e a minha vida, tudo isso separado dele. Estou ligado à Max da mesma maneira que um astronauta está unido à sua espaçonave por cabos. Se a espaçonave explodir e o astronauta morrer, isso não significa que ele era imaginário. Apenas que seu suporte vital foi cortado.

É na escola que as coisas acontecem, literalmente. Mesmo Max sendo na dele, consegue se meter em uma encrenca daquelas com Tommy Swinden. Uma coisa que não mencionei antes é que Max tem certos problemas em relação a fazer cocô fora de casa. E foi no dia que apareceu um cocô extra que tanto Tommy quanto Budo são surpreendidos. Mas as coisas não param por aí, Max se mete em outra encrenca e precisa de Budo, mais que nunca, para conseguir sair dela. Mas dessa vez é uma encrenca maior que essa e Budo não sabe como ajudá-lo, já que apenas Max consegue vê-lo.

Amei o Budo! Ele é um personagem sensível por conhecer tudo sobre Max e por conseguir tratá-lo da maneira que ele quer, mesmo que seu amigo imaginador não defina isso. Mas tiveram momentos que o vi como alguém muito egoísta, que só estava pensando em sua própria existência. É difícil para Budo perceber que um dia Max deixará de precisar dele e desaparecerá. Por um lado é fácil de entendê-lo, mas por outro, é quase um crime.

O desenvolvimento e a forma de Matthew escrever é singular. Apesar de ter encontrado momentos repetitivos demais, mas nada que atrapalhe a essência da história, ele conseguiu me fazer rir, ficar preocupada, angustiada e sem fôlego. Além disso, conseguiu, no final do livro, me surpreender dando forma àquilo que eu pensara desde o início sobre os amigos imaginários. É ler para conferir!

Memórias de Um Amigo Imaginário é um livro feito para todos os públicos, porque além de mostrar valores como amor, lealdade e amizade, ele mostra que às vezes precisamos abrir mão de determinadas coisas não apenas por si, mas também pelos outros. Todos temos uma missão aqui, até mesmo os amigos imaginários.

Peço desculpas pelo pequeno desaparecimento. Na quinta-feira passada quebrei meu tornozelo indo para a escola que trabalho e fiquei internada a última semana inteira. Mas agora tudo volta ao normal… ou algo próximo disso. As atualizações no blog serão retomadas e temos muitas coisas boas para falar nos próximos dias.



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10 Respostas para "Memórias de Um Amigo Imaginário | Matthew Dicks"

Camila Bezerra - 19 março 2013 às 15:46

Que bacana! parece ser um ótimo livro. Ainda não o conhecia, mas quero conferir.
Grande Beijo!

Camila – Meu Livro Cor-de-Rosa
http://meulivrocorderosa.blogspot.com.br/

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Maura C. Parvatis - 19 março 2013 às 19:36

Oi, Thaís.
Gostei da resenha, não sabia que o personagem principal da história é autista, em breve pretendo ler o livro e acredito que gostarei bastante 😀

Beigos,
Maura – Blog da /mauraparvatis.

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Mareska - 19 março 2013 às 21:11

Eu tenho esse livro porque achei a sinopse o máximo, mas não li ainda. Adorei saber que é bom!

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Marina Pazeti - 19 março 2013 às 23:00

É a primeira resenha que eu li do livro e só aumentou a vontade que eu estava de ler desde a sinopse!

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Mirelle Candeloro - 19 março 2013 às 23:43

Aiii amei a resenha. Estava super ansiosa esperando você resenhar esse livro. Sabe que eu também nunca tive amigo imaginário? Nem amigos que tiveram amigos imaginários. Confesso que até tentei, mas sei lá, não emplacou.. hehe
Fiquei louca de vontade de ler o livro.
Beijão, Mi

http://www.recantodami.com

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carol della torre - 20 março 2013 às 14:49

nunca tive um amigo imaginário também, sempre quis, parecia tão legal quando era pequena… haha, mas fazer o que?
adorei a sua resenha e parece mesmo ser um livro lindo e super fofo, to com ele aqui para ler já.

http://rehabliteraria.blogspot.com.br/

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Melissa - 20 março 2013 às 21:13

Olá Thaís !
Eu adoro o enredo desse livro, parece ser uma leitura ótima, bem construída e com um enredo muito interessante.
Eu era cheia de amigos na infância, em geral “conversava” muito com eles, era divertido kkk
Abraços
Melissa Padilha
decoisasporai.blogspot.com.br

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Helena Silva - 20 março 2013 às 21:35

Este comentário foi removido pelo autor.

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Helena Silva
março 20th, 2013 em 21:36
respondeu:

Que resenha deliciosa de ser lida :D. Vi que comentou no meu blog e vim conhecer o seu! Adorei! Parabéns. Sabe, eu não queria ler esse livro, mas agora eu quero. Eu também pensei que o livro era sobre Síndrome de Dawn xD. Anyway, adorei a resenha! Eu nunca tive um amigo imagináriom, mas já tentei depois de ver a mansão foster lol. Mas é uma doença vc ficar pensando que existe alguém enquanto não tem, então eu não acho que seja legal…

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Isabela Vicentin - 21 março 2013 às 21:30

Aawn, eu tenho muita vontade de ler esse livro! Está na minha wishlist há um tempinho já e, com sua resenha, as coisas ficaram mais claras pra mim, principalmente porque eu nem quis ler a sinopse do romance, rs. Essa onda de sick-lits me agrada muito quando o autor sabe como tratar do tema de forma pura e humana. Amei a resenha, Thaís! <3

Beeijos
Bel Vicentin
http://cha-depalavras.blogspot.com.br

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