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maio 24, 2016 Falando de Resenhas

Ubik por Philip K. Dick


Ubik
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Nunca tinha lido Philip K. Dick, mas graças ao Vórtice Fantástico daqui do Rio de Janeiro, a coisa mudou e gostei bastante do que encontrei em Ubik. Não vou te dizer que foi a leitura mais fácil, a mais simples. Foi doloroso, rolou um certo estranhamento, mas aconteceu e, no final das contas, amei a escrita do Dick. Amei como ele coloca um pouco de si mesmo no personagem principal que acompanhamos e como ele transforma e retorce tanto nossa visão do mundo, que vamos, praticamente, para um outro plano, mas ao mesmo tempo ele consegue criticar diversas coisas da nossa sociedade de uma forma incrível.

O “futuro” é 1992 e já que o livro foi escrito em 1969 conseguimos ver como as pessoas pensavam o futuro naquela época. Mas vamos ao ponto principal da história: Dick descreve um mundo onde existiriam diferentes tipos de pessoas, as que conseguem ler mentes, as que conseguem bloquear tal poder e as pessoas que conseguem ver o futuro, de certa forma. Mas, ao longo da história, descobrimos um novo poder de uma nova integrante de uma agência de espionagem, alguém que consegue mudar o passado. Calma! Essa pessoa não é o personagem principal, mas tem um belo papel na história. Nosso personagem principal se chama Joe Chip, um cara que, apesar de trabalhar para uma figura renomada e admirada, Glen Runciter, não tem nem 5 centavos para conseguir abrir a própria porta. Ah! Esqueci que não havia comentado sobre isso! Nesse futuro, praticamente, ou tudo, é cobrado. Desde preparar o café na própria casa ou até mesmo abrir uma simples porta.

Mas, nosso personagem principal não é uma pessoa que se dá muito bem ou sabe administrar muito bem o dinheiro, e olha que ele ganha muito bem! A partir daí, vi uma boa crítica ao capitalismo e Dick chega a citar Platão, falando sobre objetos ideais. Na verdade, Joe Chip é chamado para liderar uma equipe de pessoas que vão anular alguns poderes numa missão em Luna, onde era um local já habitado, mas que alguns telepatas haviam invadido. Chegando ao local com a melhor equipe que Joe Chip poderia ter montado, ocorre uma explosão e a partir daí, começa a bagunça em nossas cabeças e na dos personagens para descobrir o que está acontecendo exatamente.

Os personagens de Dick são nebulosos, alguns são muito bem desenvolvidos ao longo da história, mas outros temos apenas um vislumbre de sua personalidade. E tudo tem um tom ainda mais diferente porque existe um local onde ficam os meias-vidas, um local em que as pessoas estão mortas, mas não totalmente mortas, elas são mantidas e acordadas de acordo com o tempo que a pessoa que mantém seu “caixão”, um local chamado moratório. Assim é o estado da esposa de Runciter, onde eles conversam, ele a coloca a par de tudo o que acontece na empresa e ela consegue ajudá-lo a manter os negócios da família. E nesse moratório, existe um rapaz chamado Jory, que conseguiu, em certo momento, interferir na conversa de Runciter e sua esposa.

Então você deve estar se perguntando: afinal de contas, o que é esse tal de Ubik? O mais curioso é que vamos descobrir o que realmente é no desenrolar central da história, mas a cada início de capítulo, o autor vai te dando algumas dicas. Confesso que essas dicas são um pouco nebulosas, mas que nos levam a refletir sobre a cultura do consumismo, como as coisas são descartáveis e muitas outras coisas.

Essa foi uma leitura diferente, onde eu tive uma sensação completamente diferente, onde fui levada para um lugar totalmente desconhecido. Mas o desconhecido, o estranho e o diferente que o Dick cria é algo louvável. Esteja de mente aberta e encare Ubik!



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