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outubro 11, 2014 Falando de Resenhas

A Vida Secreta das Abelhas por Sue Monk Kidd


A Vida Secreta das Abelhas

Título: A Vida Secreta das Abelhas
Autor: Sue Monk Kidd
Editora: Paralela (Cia. das Letras
Skoob: Adicione!
Onde comprar: CULTURA | AMAZON | SUBMARINO*
Classificação: EstrelasEstrelasEstrelasEstrelasEstrelas

Tendo como pano de fundo os anos 1960, A vida secreta das abelhas é uma história marcante sobre o poder feminino e o poder do amor. A adolescência de Lily Owens tem sido complicada. Ela não se lembra da morte da mãe, há mais de dez anos, e sua relação com o pai é mais que difícil. Em 1964, quando completa catorze anos, ela decide fugir junto com sua babá Rosaleen. Lily sai a caminho de Tiburon, a cidade que parece esconder alguma resposta sobre a vida de sua mãe. Chegando lá, ela e Rosaleen são acolhidas por três irmãs. Aos poucos, Lily descobre um mundo mágico de abelhas, mel e da Madona Negra. Com a ajuda das irmãs Boatwright — August, May e June —, Lily tenta desvendar sua história. Será que ela conseguirá enfrentar os demônios de seu passado e se tornar uma jovem independente?

Terminei de ler A Vida Secreta das Abelhas sentindo um misto de alegria, por conhecer uma história tão incrível, e de tristeza, por dar tchau para Lily e todos os outros personagens que conheci. Este é um livro diferente não apenas pela forma que foi construído, mas por andar lado a lado com a história de um país, dando destaque para a luta dos negros por seus direitos nas décadas de 60/70 e a relação que existia entre homens e mulheres, dominador e dominado.

A história é narrada em primeira pessoa e começa pelo verão de 1964, quando Lily, nossa personagem principal, completa catorze anos. Quando era mais nova, perdera a mãe e depois disso, passou a viver com o pai, T. Ray, e a ser cuidada por Rosaleen, que era também uma colhedora de pêssegos. A relação entre Lily e T. Ray não é uma das melhores e ele, como pai, não faz questão alguma de demonstrar nenhum sentimento para com a própria filha. Apesar disso, Lily, com seu coração cheio de amor e carinho, acredita que ainda assim, ele goste dela, pelo menos um pouco.

Logo na primeira página, a protagonista declara que sua vida passa a girar em uma nova órbita e, acredite, é numa nova órbita mesmo! Tudo começa a mudar no dia que Rosaleen descobre que os negros poderiam votar, o início das conquistas por seus direitos civis estava começando, e decide registrar seu nome. Lily resolve acompanhá-la, mas quando passam por três homens que as provocam, principalmente com frases racistas sobre Rosaleen, a coisa não fica nada boa e vão parar na delegacia. Chegando lá, Lily é liberada e T. Ray vai buscá-la. Ele, que já não estava num bom humor por ter que ir à delegacia buscar a filha, a maltrata ainda mais. Por isso, chegando ao seu limite, Lily resolve fugir de casa, mas antes, queria buscar Rosaleen.

Eu nunca tinha tido um momento de verdadeira religiosidade, nunca tinha ouvido uma voz dentro de mim, que não a minha falando com tanta sinceridade que as palavras brilhavam nas árvores e nas nuvens, mas tive aquele momento exatamente ali, no meu próprio quarto. Ouvi uma voz dizer, Lily Melissa Owens, seu vidro está aberto.

O destino de Lily para fugir foi baseado nos objetos que ainda tinha da mãe dentro de uma lata, mais especificamente numa imagem de uma Maria negra, onde estava escrito o nome de uma cidade: Tiburon, C. S. O maior objetivo de sua fuga é tirar um peso de suas costas e descobrir seu lugar no mundo. Com a companhia de Rosaleen, ambas vão rumo à cidade pegando carona e acabam conhecendo August, May e June, três irmãs que as acolhem.

Como disse no início, os personagens são incríveis e cada um tem sua própria busca e luta. Lily é uma menina que está em busca de si mesma e de quem realmente foi sua mãe, como e porquê foi embora de sua vida tão rápido. Ela é sonhadora e deseja ser professora de inglês e escritora, mas como na época o apoio dos homens para que as mulheres tivessem seus lugares ao Sol eram mínimos, seu próprio pai minava suas esperanças. Rosaleen também é uma personagem que busca seu lugar ao Sol, mas de uma forma diferente. Ela deseja ter os mesmos direitos dos brancos, entretanto a guerra entre brancos e negros era tão grande que até mesmo ser uma simples hóspede em um hotel era praticamente impossível. As irmãs Boatwright são encantadoras e tão boas, que queria também estar com elas na casa com a cor mais chamativa do universo. August é criadora de abelhas, uma mulher forte e determinada. Ela sempre tem uma frase inteligente e um conselho verdadeiro para dar. May é um ser especial, apesar de não saber lidar com algumas notícias tristes. É tão bondosa que lida com a dor dos outros como se fosse a dela. June é o contrário das outras duas irmãs. É um pouco mal humorada e algumas coisas que passou não a permite abrir seu coração tão facilmente.

A Vida Secreta das Abelhas

Com a ajuda de alguns livros sobre abelhas, a autora coloca passagens e explicações a cada início de capítulo sobre como elas se comportam em sociedade, como vivem e algumas curiosidades que não fazemos ideia. Se observarmos, através da história de A Vida Secreta das Abelhas como as abelhas interagem e tudo o que fazem, podemos tirar muitas lições para nossa vida prática.

Esse não é um livro que conta apenas a história de alguns personagens, vai muito além contando a história de suas lutas sociais e pessoais. Apesar de tratar de assuntos mais sérios, é uma leitura leve, mas não tão profunda, que mostra que o que é diferente também é bom e misturar algumas culturas também faz bem. Se você quer conhecer um pouco mais sobre as lutas dos negros e o que eles poderiam ter passado, ao menos na América do Norte, esse é o livro certo. Mas se você não está tão interessado assim nos acontecimentos reais, vale a pena pelo simples fato de ser uma história encantadora que mostra que correr atrás do próprio passado e de um provável futuro é a coisa mais certa a se fazer.

“Não existe nada perfeito”, August falou na porta. “Essa é a vida.”



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4 Respostas para "A Vida Secreta das Abelhas por Sue Monk Kidd"

Diego Martinho - 12 outubro 2014 às 23:00

Oi Thaís!
Adorei a resenha 🙂
É tão bom quando o livro nos cativa dessa maneira e é tão ruim quando ele acaba :/
Adorei os quotes!

Beijos :*
Diego

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Cris Aragão - 12 outubro 2014 às 23:57

Sempre que eu vejo o nome desse livro eu o confundo com Pequena abelha, e apesar de serem histórias bem diferentes, ambas são sobre superação tendo como personagens centrais jovens mulheres negras. Eu ainda não li nenhum dos livros da autora mas tenho pelo menos um na minha fila de leitura. Pela resenha desse livro em particular acredito que vou gostar.

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Bárbara Prince - 13 outubro 2014 às 17:17

Parece muito bem mesmo!
Eu tenho muito interesse na história dos Estados Unidos, e em especial na história dos negros norte-americanos. E ainda num romance bonito e bem escrito? Tá na minha lista!
http://www.blogsemserifa.com

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Anna Schermak - 23 outubro 2014 às 08:27

Confesso que não pedi esse livro pq não sei lidar bem com abelhas, mas ele parece tão bom que estou arrependida =/

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